A falta de infraestrutura do Porto de Paranaguá, relatados por esta FOLHA, não é novidade. Apesar da recente conclusão da dragagem dos berços de atracação, a operacionalidade precisa - e muito - ser melhorada. O cenário ainda é de uma estrutura obsoleta, com shiploaders (equipamentos carregadores que levam as cargas aos navios) com baixa capacidade de operação e pouco espaço para armazenagem.
Também há relatos da cadeia produtiva, que utiliza os serviços do porto, de falhas no próprio processo organizacional, como a necessidade de implantação efetiva da Ordem de Serviço 001/2006, que regulamenta o uso do pátio de triagem. Desta forma, os caminhões só entrariam no porto se estivessem com o navio nomeado e com o terminal no qual vai descarregar estiver determinado.
O Porto de Paranaguá é o principal meio utilizado para exportação da safra paranaense. Estimativas indicam que neste ano deverão passar pelo local cerca de 15 milhões de toneladas de granéis sólidos, volume 16% maior do que o registrado no ano passado. O Paraná ainda tem sua economia baseada na produção agropecuária. O agronegócio movimenta indústrias, comércio e serviços de muitos municípios.
Aliás, os problemas no porto só evidenciam a falta de infraestrutura da logística em geral, do País e do Paraná. A combinação entre rodovias precárias e transporte por via terrestre existe há um longo período, mas é passado o tempo de investimentos em outros modais, como o ferroviário e o hidroviário.
Os nove projetos anunciados pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) para melhoria da infraestrutura são bem-vindos, mas necessitam de urgência. Segundo o superintendente da Appa, Airton Vidal Maron, os investimentos serão de cerca de R$ 1,1 bilhão e virão de fontes próprias, iniciativa privada e do governo federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Passados longos oito anos, não há mais tempo para espera.

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