Velhice, tempo de colher - Dário Livino Torres
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Dário Livino Torres 
Quando se vê uma pessoa idosa, com seus cabelos brancos e seus passos lentos, muitas vezes não se pode avaliar o quanto foi realizado por ela em sua trajetória até ali.
Naturalmente, essa pessoa já foi jovem e, em sua juventude, teve várias oportunidades para o apresto da sua velhice.
Se foi precavida, construiu os alicerces do futuro, de forma sólida, dando uma resposta otimista aos que ficam preocupados, negativamente, com a aproximação da reta final de suas existências.
A velhice é uma fase normal inerente a todos. Sendo assim, cabe a cada um de nós administrar a fase anterior, de um modo judicioso, para que se chegue a ela sem consequências desastrosas.
Assiste-se, com muita frequência, ao entusiasmo contagiante de muitos idosos que não se perturbam com o passar dos anos. Estudam, escrevem, dançam, praticam esportes, entre inúmeros outros afazeres, mostrando como continuar num estado juvenil em plena velhice.
Mas, para que tenha valor, nada pode vir graciosamente, tudo exige esforço. Se o indivíduo não se preparou convenientemente para aquele período, terá pouca ou nenhuma chance de usufruir da tranquilidade que a velhice pode proporcionar, porque esse é o tempo de colher.
Na sociedade brasileira, existe uma prática altamente injusta e cruel contra aquele que começa a avançar na idade. Essa prática consiste na recusa, por parte de certos empresários, de pessoas na faixa etária dos 45 anos em diante, fato que provoca marginalização dessas pessoas, no que tange ao mercado de trabalho, exatamente quando, pela experiência acumulada através dos anos, elas têm todo um potencial a ser prestigiado.
Sem a colaboração do homem idoso, diversas atividades são afetadas por um hiato entre o que já se encontrava feito e tinha condições de melhorar cada vez mais e um início, na maioria das vezes vacilante, que só traz perda de tempo e prejuízos.
Nos países mais adiantados, a colaboração do velho, em muitos setores, é sempre bem-vinda, porquanto é sinônimo de vivência e sabedoria. Por lá, a valorização do senescente é tão acentuada que, em geral, ele não pensa em aposentadoria.
Entretanto, havendo atividade ou não, a velhice é a época dos resultados, bons ou maus.
- DÁRIO LIVINO TORRES é magistrado


