Vários obstáculos pelo caminho
O lado mais frágil do trânsito está cercado pelo perigo por todos os lados. Se a campanha ''Pé na Faixa'' não engrena (falta educação tanto de quem está a pé quanto daqueles que estão motorizados) em Londrina, andar nas calçadas da cidade é uma tarefa árdua e, não raramente, impossível. O desrespeito é geral e reflete no número de atropelamentos.
A reportagem da FOLHA foi às ruas da cidade conferir como andam os passeios. O resultado, publicado na edição dessa terça-feira, comprovou o descaso. Calçadas esburacadas, cheias de material de construção, quebradas por raízes, com mato e terra. Há residências que invadem o espaço do pedestre ou simplesmente não deixam passagem, e ainda situações em que trechos se transformam em verdadeiros depósitos de lixo. Isso sem falar na falta de padronização.
Londrina possui uma lei municipal (número 10.528), que desde setembro de 2008 define um padrão que deve ser seguido para a construção das calçadas. Arquitetos e engenheiros até elogiam a legislação, apontada como uma das melhores do País, mas é óbvio que a fiscalização está falha (são apenas oito fiscais para fazer o trabalho em toda a cidade) e punição para aqueles que não seguem as especificações.
Limpeza, adequação e possíveis reparos são responsabilidade do proprietário do imóvel. Entretanto, muitos só se mexem quando dói no bolso.
O resultado foi bem exemplificado por uma moradora da Zona Oeste, que num desabafo confessou que se sente mais segura disputando espaço com os veículos nas ruas do que enfrentando o risco de se machucar em calçadas cheias de armadilhas, podendo sofrer quedas.
O problema de calçadas malconservadas é antigo e está longe de ser uma exclusividade de Londrina. Em várias regiões do Paraná e do País as histórias de descaso se repetem. É uma questão de cidadania cuidar bem dos passeios. Então, o Poder Público precisa fazer seu papel, exigir o respeito à lei e realizar campanhas educativas. São medidas que podem salvar vidas.





