Um levantamento da FOLHA com base no Censo 2022 mostra um paradoxo conhecido, porém persistente: mesmo entre os 40 municípios mais populosos do Paraná, a distância entre ricos e pobres ultrapassa 130%. A desigualdade não se limita ao mapa do Estado; ela se reproduz dentro das próprias regiões metropolitanas e, muitas vezes, dentro de um mesmo município. Enfrentar esse quadro é difícil, mas indispensável para evitar bolsões de atraso que comprometem o desenvolvimento coletivo.

A primeira barreira é entender que renda per capita não depende apenas do tamanho da cidade. Como apontam os especialistas, fatores como estrutura produtiva, escolaridade da mão de obra, composição etária e capacidade de atrair e reter trabalhadores qualificados pesam mais do que a posição geográfica. Municípios-polo concentram serviços públicos, indústrias e empregos melhor remunerados. Ao redor deles, cidades-dormitório e áreas rurais mantêm famílias maiores e rendimentos menores, o que puxa a média para baixo.

Além da desigualdade entre regiões, há a desigualdade interna. A presença de uma elite econômica eleva a renda média sem que isso se traduza em melhoria para a maioria. Setores como comércio e serviços, predominantes em várias cidades, pagam salários menores do que a indústria ou a agroindústria.

Nivelar a renda, portanto, exige políticas articuladas e persistentes. A primeira é investir pesado em educação de qualidade e formação técnica, alinhada às vocações regionais. Cidades que conseguem reter trabalhadores com ensino superior e qualificação específica elevam sua renda média e fortalecem o tecido produtivo. A segunda é diversificar a economia local, atraindo indústrias e serviços de maior valor agregado, com incentivos condicionados à geração de empregos formais e bem remunerados.

Outro ponto é a mobilidade regional. Se os municípios periféricos dependem do polo para trabalhar, é preciso melhorar transporte e integração urbana para reduzir custos e ampliar o acesso às oportunidades. O Paraná já conta com políticas importantes de descentralização do desenvolvimento, que ajudaram a espalhar investimentos e oportunidades para além dos grandes polos. Intensificar essas políticas e manter no radar a geração de oportunidades em municípios que mais precisam é essencial para fortalecer o Estado como um todo.

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