A cassação do mandato do deputado federal André Vargas (sem partido/PR) ocorre em um importante momento do País. Período em que está em investigação um dos maiores escandâlos de corrupção da história, que já culminou em várias prisões de agentes públicos e privados e de diretores das maiores empreiteiras. Um fato não imaginado por muitos brasileiros meses atrás. Espera-se que depois desse episódio o Brasil ficará menos tolerante à corrupção, aos crimes de colarinho branco.
Vargas perdeu o mandato por quebra de decoro parlamentar por intermediar, junto ao Ministério da Saúde, negócios do doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que investiga um megaesquema de desvio de recursos da Petrobras e lavagem de dinheiro. Além disso, ele teria pegado emprestado um jatinho de Youssef para viajar ao Nordeste de férias com a família.
O caso vem se arrastando há meses, inclusive com inúmeras manobras do parlamentar e de seus aliados para evitar a cassação do seu mandato. Como estava sem partido, não foi candidato às eleições deste ano e agora perdeu seus direitos políticos. Só poderá se candidatar novamente em 2022, como determina a Lei da Ficha Limpa. Agora, assim como Vargas foi cassado é importante que outros parlamentares envolvidos também passem pelo mesmo processo.
Todos esses ritos devem ser cobrados pela opinião pública para salientar que os brasileiros não toleram mais tanta corrupção. São passos necessários para indicar até mesmo uma mudança de postura da população que, durante muito tempo, foi complacente com episódios como esse.
O País passa por um momento de transição – de depuração. Importante porque pode indicar uma limpeza na política brasileira sem precedentes, onde a ética ganha mais evidência. Não se pode mais tolerar a dilapidação do patrimônio público. Deve-se exigir que as investigações sejam mais aprofundadas até mesmo para confirmar a denúncia de que mais de 700 obras, tocadas por várias estatais, também têm esquemas de corrupção.

mockup