Varejo paranaense mostra resiliência
Em meio a cenário adverso, com juros altos e inadimplência, comércio obtém bons resultados
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de outubro de 2026
Em meio a cenário adverso, com juros altos e inadimplência, comércio obtém bons resultados
Folha de Londrina 
O comércio é um termômetro importante da economia. Ao atender consumidores e empresas de diferentes setores, reflete tanto o poder de compra das famílias quanto o ritmo das atividades produtivas. Nesse contexto, os resultados do varejo paranaense merecem atenção. Mesmo diante de juros elevados, que encarecem o crédito, e da inadimplência, que limita o consumo, o setor mantém desempenho positivo em 2026.
A Pesquisa Conjuntural da Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná) registrou crescimento de 5,78% nas vendas em julho na comparação com junho. Na comparação com julho do ano passado, a alta foi mais modesta, de 0,61%. No acumulado de janeiro a julho, o avanço chegou a 1,01%. Os números indicam que, embora o ritmo varie entre os meses e os segmentos, o comércio segue encontrando espaço para crescer em um cenário econômico desafiador.
Londrina se destaca nesse quadro. A cidade lidera o crescimento regional no acumulado dos sete primeiros meses do ano, com expansão de 3,22% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho é sustentado principalmente pelas lojas de departamentos, cujas vendas avançaram 14,57%, e pelas concessionárias de veículos, com alta de 14,37%. O resultado reforça a importância do mercado consumidor londrinense e a capacidade do setor de responder às oportunidades, mesmo diante das restrições econômicas.
A perspectiva positiva, no entanto, convive com preocupações locais. O risco de o LondriNatal não ocorrer neste ano, em razão do contingenciamento de gastos da Prefeitura de Londrina, acende um alerta entre os comerciantes. A programação natalina, além de movimentar o centro e outras áreas comerciais, ajuda a atrair consumidores, ampliar o fluxo de pessoas nas lojas e estimular as compras de fim de ano. Em um período decisivo para o faturamento de muitos estabelecimentos, a ausência de ações que contribuam para essa movimentação pode representar uma oportunidade perdida.
A realização de eventos desse porte precisa considerar as limitações orçamentárias do poder público, mas também seus possíveis reflexos sobre a economia local. O comércio depende de consumidores dispostos a comprar, e iniciativas capazes de estimular a circulação de pessoas podem beneficiar diferentes atividades, do varejo à alimentação e aos serviços.
O desempenho do varejo ao longo do ano demonstra capacidade de resistência, mas não elimina os desafios que permanecem no horizonte. Juros altos e endividamento das famílias ainda podem limitar a expansão das vendas, enquanto o resultado de dezembro terá peso importante no balanço anual.
Se o comércio, um dos principais termômetros da economia por sua ligação direta com os consumidores e os demais setores produtivos, encerrar 2026 com saldo positivo, o resultado será uma boa notícia para toda a sociedade.
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