O aumento da renda dos consumidores proporcionou ao setor supermercadista o maior crescimento na quantidade de produtos vendidos (4,7%) entre janeiro e agosto de 2010. ‘‘Nunca se comprou tanto’’, resumiu o presidente da Abras, Sussumu Honda, em entrevista ao repórter Rodrigo Petry. Segundo ele, isso é explicado pelo incremento do consumo das classe C, D e E, que procuram nas prateleiras, principalmente, produtos mais baratos e de segunda linha. ‘‘Os consumidores não estão comprando as marcas de refrigerante líderes, mas sim as regionais, com preços mais baixos’’, exemplificou. ‘‘As categorias de produtos de segunda linha, que operam com margens até maiores, vêm ganhando espaço, em relação aos produtos pre-mium’’, afirmou.
  O que os supermercados estão comemorando na realidade é o resultado de 15 anos de estabilidade econômica, que garantiu maior oferta de emprego e manteve em bom nível de barganha o rendimento da classe trabalhadora. Já a procura por produtos mais baratos, aliada ao recuo dos preços, vêm desacelerando a receita, segundo Honda. ‘‘Com preços mais acessíveis, o consumidor passou a comprar mais, mas o faturamento não vem acompanhando esse ritmo.’’ Após encerrar os três primeiros meses deste ano com uma alta de 8,6%, o faturamento do setor desacelerou, encerrando o período de janeiro a agosto com um incremento de 4,7%. Parte dessa retração no ritmo de crescimento das vendas é explicada pelo recuo acumulado de 3,1%, entre maio e agosto, no valor da cesta de 35 produtos mais consumidos nos supermercados.
  A Abras projeta que o volume comercializado encerre o ano com um avanço na faixa de 6% a 6,5% sobre 2009. Já a estimativa para o faturamento dos autosserviços é de que se acelere a partir de outubro, com a perspectiva de aumento nos preços de produtos que com grande representatividade na cesta do consumidor, como carnes e feijão, observou Honda. Mesmo prevendo um aumento nos preços até o final do ano, o dirigente pondera que a maior participação de produtos importados - como eletroeletrônicos, brinquedos, castanhas, vinhos e bacalhau, beneficiados pela valorização do real - deve compensar parte desta pressão de alta. Os supermercados faturam alto com a venda em escala e o gigantesco leque de itens que oferecem.

mockup