A Sadia tinha uma dívida de R$ 8 bilhões e a Perdigão teve perdas de R$ 226 milhões nos primeiros três meses deste ano. No mesmo período o prejuízo da Sadia foi de valor quase idêntico. Agora as duas gigantes da alimentação processada unem dívida e déficits mútuos e convertem-se numa poderosa multinacional brasileira e a 10 maior empresa de alimentos das Américas. São no total 119 mil funcionários sob um mesmo comando e, ao lado dos benefícios previstos, um fantasma ronda essa fusão: a possível demissão de trabalhadores. A Sadia já estava com as carnes fracas e havia demitido milhares de empregados em março.
Se a estratégia pode resultar em salvação das empresas, sobretudo esta última, uma quebra seria fatal para o setor e para a economia, e muito pior para a causa do emprego. Mas o indicativo de corte de pessoal depois dessa união é forte, porque é sempre isso que ocorre quando fusões dessa natureza acontecem. E esta será a parte ruim, porque colocará famílias na falência.
Empresas visam lucro, que é o objetivo natural, e não são todas que se preocupam também com a sua função social. A expectativa é que ambas se ajudem e se robusteçam, embora o paradoxo de as duas trilharem pelo caminho do vermelho neste começo de ano (num total negativo de quase R$ 500 milhões) e com volumosa dívida a saldar. Empresas pequenas também quebram, mas quando isto ocorre com as muito grandes o estrago é proporcional ao seu tamanho e pode gerar crises nacionais e até mundiais. Basta situar-se na crise financeira atual, que irrompeu pela degringolada apenas de banco. O negócio do processamento de carnes das duas megaempresas catarinenses (que prevê vendas anuais líquidas de R$ 22 bilhões) agrega os produtores integrados, que é um formidável e exemplar sistema, envolvendo milhares de pequenos fornecedores, e isto converte a fusão numa portentosa corporação, portanto, maior que apenas os complexos industriais instalados e seu corpo de empregados.
A torcida é para que o equilíbrio se restabeleça e a fusão resulte, como é o propósito, em aumento do poder de mercado e maior escala de produção. E espera-se que dessa junção os produtos que processam resultem mais baratos para o consumidor. Sadia e Perdigão têm cinco unidades no Paraná, e o que suceder à grande matriz afetará também estas. Um casamento como este também mudará o modelo de gestão, e a expectativa é que o que foi unido por essa estratégia, crise nenhuma o separe.
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