Nos dias que antecedem o feriado de Finados muitas famílias costumam ir aos cemitérios para preparar os túmulos de parentes e amigos para receber as homenagens. Essa data é celebrada em 2 de novembro e pela tradição católica é dedicada à memória e oração aos mortos.

Infelizmente, é um período em que as pessoas acabam constatando a ocorrência de vandalismo nos túmulos e de furtos de placas e de outros objetos de cobre para revender no mercado paralelo.

O Cemitério Jardim da Saudade, localizada na zona norte de Londrina, é um exemplo dessa triste constatação. De acordo com um balanço da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina), ao menos 70 túmulos foram violados nos últimos dois meses.

O superintendente da Acesf, Péricles Deliberador, explicou que a administração registrou boletins de ocorrência de todos os furtos, assim como também orientou a população a fazer o registro.

A reportagem da FOLHA esteve no local e constatou diversos túmulos que tiveram alguma peça furtada, já que as marcas da cola não deixam dúvidas. Nomes, fotos e um pouco da história de cada um foi levada embora e vendida no comércio ilegal.

A FOLHA conversou com o aposentado Matheus Faria, 76, que optou por utilizar um material diferente do cobre nas placas de identificação nos jazigos da esposa, mãe e pai. “Pelo menos eles não pegam porque não têm valor para eles”, afirma. O que ele mais lamenta é o fato de saber que algumas pessoas têm coragem de furtar túmulos no cemitério. “A gente queria fazer alguma coisa bonita, mas se coloca eles levam embora”, complementa.

O superintendente da Acesf, Péricles Deliberador, explicou que a Guarda Municipal faz o monitoramente de todos os cinco cemitérios municipais urbanos e dos oito localizados nos distritos, inclusive no período noturno, sendo que os agentes têm a chave para poder acessar os espaços mesmo quando estão fechados.

Apesar da movimentação diária realizada pela Guarda Municipal em todos os cemitérios públicos, o enfrentamento desse tipo de ocorrência é difícil justamente por conta dos receptadores. O quilo desse material pode passar dos R$ 100 em alguns casos.

Até o momento, o único cemitério municipal que conta com sistema de monitoramento por câmeras de segurança é o São Pedro, na região central, mas a expectativa, de acordo com Deliberador, é de que os equipamentos também sejam instaladas nos demais em 2026. As câmeras têm ligação direta com a central de monitoramento da Guarda.

Importante ressaltar que a violação de túmulos é um crime contra o patrimônio material e uma ofensa às famílias que buscam preservar a história de seus entes queridos.

É urgente que o poder público intensifique os sistemas de segurança nos cemitérios municipais e realize ações policiais contra os receptadores nesse ciclo criminoso. Sem compradores, não há motivo para furtos.

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