Vamos votar! Vamos às urnas!
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de agosto de 2001
Tercílio Turini 
O cidadão lon drinense ama nhã vai às urnas manifestar a sua vontade sobre o destino da Ser comtel Celular. A população de Londrina terá o poder de traçar o futuro de um patrimônio público. É desta forma que a Câmara de Vereadores garante o exercício da cidadania. O nosso exemplo, tenho certeza, vai avançar fronteiras para mostrar ao Estado e à Nação que o cidadão londrinense não está passivo, não se satisfaz apenas com o acompanhamento geral dos acontecimentos, não se coloca à margem das decisões de vereadores e prefeitos. Quer dar a sua opinião e, neste caso, quer ter o poder de decisão.
A história recente, vivida pelos londrinenses, mostra que o Legislativo agiu corretamente. Nos anos de 1999 e 2000, a população, por diversas vezes, lotou as galerias da Câmara para assegurar o seu direito de decidir sobre aqueles que, em 1996, tendo ganho a eleição nas urnas, consideraram que tinham o poder absoluto e traíram a população, desviando recursos da Prefeitura de Londrina. E aos poucos, depois de muita mobilização popular, indignados com os escândalos vergonhosos e apoiados pela pressão da opinião pública, cassamos o prefeito.
Hoje, por decisão da Câmara Municipal, percorremos o caminho inverso. É certo que a população deve ser ouvida em todos os momentos tanto por vereadores como por prefeitos, mas terá agora o poder de decisão sobre o patrimônio público. Aos governantes cabe, portanto, a humildade de entender que o voto conferido nas urnas, no dia da eleição, não é um cheque em branco, uma procuração ''ad referendum'' que lhes permita dispor sobre os bens comuns, de toda a população a Sercomtel, as ruas, as praças, as avenidas, os postos de saúde, os hospitais... construídos com o recolhimento de impostos e taxas.
Fosse esse um princípio respeitado pelos políticos, o Paraná e o Brasil não teriam assistido à verdadeira guerra de interesses demonstrada na sessão ocorrida nesta semana na Assembléia Legislativa, em Curitiba. O projeto de iniciativa popular que proíbe a venda da Copel reúne milhares de assinaturas e, infelizmente, não tem sido argumento convincente para o governo do Estado desistir da empreitada de venda da estatal. Embora respaldado pela população, o projeto é ignorado por parte dos políticos que defendem interesses individuais deles e do atual governo em detrimento da vontade popular.
Felizmente, aqui, a situação é diferente. O plebiscito, embora seja uma lei de minha autoria, não nasceu apenas da minha vontade. Está respaldado na Lei Federal 9709/98, que regulamenta o plebiscito e prevê que a população poderá ser convocada a decidir sempre que se tratar de questão de relevante interesse público. Foi esta a forma encontrada pela Câmara Municipal para criar regras de controle e fiscalização eficazes sobre o destino dos recursos públicos. Atenta aos interesses da população, a Câmara aprovou a proposta que agora se transformará em realidade de fato e de direito. Estamos democratizando a informação, abrindo diálogo com a sociedade para a construção da cidadania.
A consulta popular toma corpo, ganha espaço na mídia e movimenta a cidade. O processo, lento e muitas vezes dolorido, implica exigir aplicação de conceitos éticos e transparentes na política. Ao contrário do que pregavam os mais pessimistas, a população descobriu que pode decidir sobre a venda da Sercomtel Celular, por isso busca informações, quer conhecer argumentos dos grupos favoráveis e contrários e toma para si também a responsabilidade de avaliar a empresa. Dividir essa responsabilidade com a população de Londrina é uma demonstração de civismo, digna daqueles que defendem que ''o poder emana do povo e em nome dele deve ser exercido''.
Por isso, peço a todos os londrinenses que não abram mão de votar neste domingo. O voto constrói a cidade. Vamos fazer dos atos da prefeitura e da Câmara o espelho da verdadeira vontade da população. Tenho certeza de que os londrinenses não farão do voto uma moeda de troca por obras, favores e promessas ou posições corporativistas. Decidirão pelo sim ou pelo não de forma consciente. O processo é democrático. Somos livres para votar. Com o voto, cassamos um prefeito.
Por meio do voto elegemos novos vereadores e um novo prefeito. O voto nos permitirá agora decidir sobre o futuro da Sercomtel Celular. Exerça a sua cidadania! Vote neste domingo!
- TERCÍLIO TURINI é vereador pelo PSDB e presidente da Câmara Municipal de Londrina


