Recentemente o advogado da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Vinicius Gasparini, ao negar irregularidades na entidade declarou textualmente: ‘‘Vamos provar a inocência de todos’’. Se nem todos eram inocentes, como diligência da Polícia Civil agora concluiu, não é fora de propósito que todos se safem. No arrastão que acaba de ocorrer, denominado ‘‘Cartão Vermelho’’, nove pessoas foram presas sob a acusação de desviar recursos do futebol, entre elas o senhor Onaireves Rolim de Moura, figura lendária que ocupou a presidência da FPF durante 22 anos.
  Essa mais recente operação é resultado de cinco meses de investigação, mas a história de desmandos na Federação vem desde os tempos da bola de capotão. Sempre com Onaireves despontando na ribalta.
  É oportuno publicar de novo a lista dos acusados e detidos para investigação: Onaireves, mais Cirus Itiberê da Cunha, diretor-financeiro da Federação e presidente da Comissão Fiscalizadora de Arrecadação; Carlos Roberto de Oliveira, presidente do Conselho Fiscal da FPF; Marcos Aurélio Rodrigues, fiscal daquela Comissão; Laércio Polanski, contador e tesoureiro da Federação; José Johelson Pissaia, diretor administrativo; César Alberto Teixeira de Oliveira, ex-fiscal suplente; Vanderlei Manoel Ignácio, dono do Colégio Técnico de Futebol do Estádio Pinheirão; e Roberto Tiboni, arrendatário do estacionamento do Pinheirão para os feirões.
  Os desvios anunciados são de R$ 5 milhões só de jogos de futebol, mais R$ 1,1 milhão subtraídos da Associação dos Atletas Profissionais e R$ 350 mil de direitos de transmissão, ‘‘afora outras fraudes praticadas pelo grupo’’, segundo o secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari.
  Onaireves de Moura havia sido afastado em junho da presidência da Federação, por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, e as prisões de agora se estribaram em análises contábeis. Os delitos estão tipificados como desvio de dinheiro, fraude processual, estelionato e apropriação indébita.
  A expectativa agora é saber-se quantos dias o ex-dirigente da FPF ficará detido e - se declarado culpado - em quanto tempo devolverá os valores que teria desviado. Estas são as fases críticas de processos envolvendo poderosos, porque depois do foguetório motivado pelas prisões, o final melancólico (sob o ponto de vista de quem assiste das arquibancadas) pode ser o de que todos resultem soltos e as coisas fiquem por isso mesmo.

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