Walmor Macarini
Dezembro é sempre um mês suave, não porque encerre em si alguma magia mas porque, nesta época, nos entregamos mais à serenidade e à reflexão, então nossa mente se abre, propiciando que se manifestem as boas idéias e os bons sentimentos que estavam ali prontos a entrar, só aguardando que lhes déssemos permissão.
Não são as luzes de dezembro que nos fazem felizes; é nossa felicidade que nos induz a acendermos as luzes. Não é a expectativa do Natal que nos traz alegria; é a alegria que criamos em nós que faz alegre a idéia da chegada do Natal. Não é o limiar de um novo ano que nos enche de boas expectativas; são essas expectativas que fazem boa a passagem do ano velho e a chegada do novo. Não são as boas festas que nos trazem mais paz e amor neste último mês do ano; é a paz e amor que permitimos em nós que fazem boas as festas.
Porque os anos são apenas medidas de tempo linear, não guardam em si nenhum tesouro oculto e nenhuma sabedoria. Os anos bons são aqueles que fazemos bons.
Então, neste mês de festas, não vamos repetir aqueles já cansados conceitos de que perdemos o real sentido do Natal, porque Jesus não se importa se não o reverenciemos. Basta-lhe que busquemos o mais possível seguir seus ensinamentos, e assim já estaremos lhe prestando a maior das homenagens. Mas nada impede que, no dia de seu aniversário, lhe façamos uma festa, com direito a ‘‘parabéns a voc꒒ e um bolo com 1.999 velinhas, simbólicas que sejam. Por que não? Quem já se lembrou de fazer isto? Ou será que Jesus só quer suplicantes passando-lhe problemas ou fazendo-lhe louvações?
Não tenhamos receio de, neste Natal, fazer muita festa, dar presentes à vontade, confeccionando-os nós mesmos ou comprando-os nas lojas, ou simplesmente presentear com nossa presença a amigos (e inimigos) de quem temos estado distanciados. Se o homenageado de dezembro é Jesus, ele apreciaria muito isto, porque tem tudo a ver com os ideais que pregou.
É muito bom ganhar presente, e melhor ainda presentear. Nada se compara ao prazer de dar, quando essa doação é carregada de sentimento. Fazer a ceia de Natal é bom, porque este é sempre um momento de alegria, e nós temos a obrigação de cultuar a alegria. Ricos ou pobres, todos devemos festejar. E se, para muitos, isto não é possível, que ao menos nos lembremos deles, com sentimento de amor e compaixão. Eles serão tocados pela vibração dessa mensagem, e com certeza se sentirão melhores.
Festa é um estado de espírito, que se manifesta em forma de palavras cordiais, risos, cânticos e danças, abraços e beijos. Claro que também podemos estar em festa recolhidos ao silêncio, bastando que não haja turbulência em nossos corações.
Se quisermos beber, que bebamos. Beber com alegria será mais salutar que o azedume da contenção preconceituosa. A virtude não reside necessariamente dentro de limitações que nos impomos por força de conceitos doutrinários e religiosos e que só fazem contrariar nosso dom natural para os desfrutes da vida; nem o mal está obrigatoriamente presente na vida que se convencionou qualificar de mundana. A virtude está na consciência de cada um. Porque a consciência é a verdade.
A hesitação em buscar ser feliz abriga idéias de limitação e de tristeza. Podemos nos manter em retiro espiritual mesmo cantando e dançando ao ritmo da mais frenética batucada. Deus pode estar mais presente nos corações dos que estão em festa que daqueles que se refugiam em prostração, porém repudiando com a amargura de seu coração os que estão felizes lá fora.
A alegria é a mais agradável expressão da vida. Então, não vamos ser muito severos conosco, porque não há virtude em nos abstermos das alegrias e prazeres. Ademais, as boas coisas se manifestam muito mais onde há alegria do que onde impera a tristeza e a lamentação. Os prazeres do corpo são prazeres do espírito; são manifestações da vida de Deus presente em nós. Portanto, não fiquemos presos a preconceitos que, sobretudo as religiões nos impuseram como norma de conduta, porque tais regras não deram certo. Ao contrário, retardaram nosso desenvolvimento espiritual e nos afundaram nas crenças de pecado e de punições divinas. Houvessem nos ensinado a cultuar mais as práticas da alegria e dos deleites da vida, sem limites nem abstenções, e hoje estaríamos mais próximos do paraíso, com menos doenças, menos angústias, menos frustrações, e muito mais confiança e mais autodescobertas acerca de nós próprios e do significado da vida.
Bom se todos os meses houvesse festa e alegria dentro de nós e que pudéssemos exteriorizar livremente esse estado de felicidade, porque contagiaríamos todos ao nosso redor, e o mundo com toda certeza ficaria bem melhor. Nunca se soube que alguém tenha se prejudicado por ser feliz.

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