Depois da crise, como reestruturar as empresas? Muitas tiveram que fazer redução de custos e agora precisam enfrentar uma nova realidade. Na contramão, o mercado clama por profissionais bem qualificados e muitas vezes a alternativa é investir em qualificação, para ter a demanda atendida.
Para discutir esses e outros assuntos Londrina sedia até hoje o VIII Congresso Norte Paranaense de Recursos Humanos. Leyla Nascimento, presidente nacional da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) foi a responsável pela palestra de abertura e nesta entrevista mostra o que é preciso fazer para vencer o que é considerado um dos principais desafios das empresas: reter talentos.
Muitos avaliam que o Brasil não foi muito afetado pela crise. Mas qual o grau de dificuldades enfrentado pelas empresas nesse período?
Vejo que o Brasil foi afetado também. Estamos numa aldeia global, sofremos bastante no aspecto da internacionalização e em relação às empresas estrangeiras que têm uma origem europeia, americana. Uma das grandes dificuldades de algumas empresas é que elas tomaram algumas medidas, inclusive de demissões e corte de custos que comprometeram um pouco a sua competitividade. No momento de crise a gente tem que tomar cuidado para não tirar as competências essenciais que asseguram uma retomada. O Brasil está sendo palco de vários interesses internacionais, está sendo bastante procurado, tem pela frente uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. É o nosso momento de aproveitar isso.
E como o RH pode ajudar?
O grande desafio é como atrair e como manter os melhores. Por mais que queiramos, com a quantidade de vagas e as demandas que temos no mercado pelas empresas estamos sofrendo não só a baixa qualificação, mas quantitativamente. Em números absolutos, não temos o número de profissionais que o Brasil precisa nos próximos dez anos. Deve haver um grande investimento e um planejamento de educação que possa dizer para onde o país está indo e quais os cursos que estarão atendendo a essas vagas. No Brasil ainda formamos profissionais para mercados inexistentes. Somos também o país que valoriza demais o ensino superior e de menos o ensino técnico. As empresas se ressentem da falta do ensino profissionalizante.
A formação dentro das empresas é válido ou isso não é papel delas?
Eu considero válida. As universidades corporativas, por exemplo, vieram com uma missão muito forte de tentar suprir isso. Elas não tinham alternativa. As empresas precisam de profissionais preparados. Elas são instrumento de qualificação, de formação, de educação. Só que a empresa sozinha não é a educadora. Para desenvolver uma universidade corporativa ou investir na educação, ela precisa da universidade para chancelar e formatar esses cursos, como também precisa da escola técnica.
A senhora enfatiza a importância da retenção de talentos. Como fazer isso hoje?
Já se rotulou que quem fica muito tempo na empresa é o pessoal mais tradicional. Mas não. As pessoas podem ficar 30 anos na empresa desde que sejam levadas a novos desafios, desde que seu currículo não fique estático. O que faz a pessoa estar numa empresa? Primeiro é a imagem da organização. Ninguém quer estar numa empresa que não tem uma boa imagem porque isso vai refletir no currículo.
Outro ponto é que os profissionais querem saber para onde vão. Qual o plano de carreira que aquela empresa tem para mim? Não é o salário, mas o que está em torno dele. Preciso saber daqui a dois anos no que essa empresa vai precisar de mim e o quanto vai me valorizar. Senão caio em uma falta de motivação, não me sinto pertencido, não me sinto valorizado e não tenho interesse em ficar na empresa.
E o terceiro ponto é que tenha uma formação constante das lideranças. Que elas possam ter o tempo todo, muito bem mapeado, os seus profissionais e as suas competências para que eles possam estar estimulando essas pessoas à inovação, à perspectiva de crescimento dentro da empresa ou mesmo à mudança de área.

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