Exportadores e economistas acreditam que uma valorização do real, levando a moeda americana a cotações abaixo de R$ 3,20, pode prejudicar a competitividade das exportações brasileiras. Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmou ao jornal ''Gazeta Mercantil'' que o dólar a R$ 3 ainda seria muita atraente para as exportações. Mas especialistas acham que a moeda americana não deve chegar a este nível neste ano e, se chegar, pode comprometer o superávit comercial.
Para Fernando Honorato Barbosa, economista do BBV Banco, o dólar deve ter uma cotação média de R$ 3,55 em 2003, principalmente por causa da inflação, estimada em 10,6% segundo o IPCA. ''O risco país pode até ceder, mas o câmbio nominal terá de se manter nesse nível por causa da inflação, para manter a competitividade'', diz. Segundo ele, para cada 1% de desvalorização do câmbio real, há um acréscimo de 0,6% no volume de exportações e 0,37% de queda na quantidade de importações. Inversamente, uma valorização de 1% do câmbio leva a queda de 0,6% nas exportações, e acréscimo de 0,37% nas importações.
Alexandre Bassoli, economista-chefe do HSBC Investment Bank, também acha improvável que o dólar recue para o nível de R$ 3 este ano, mesmo que o risco país continue diminuindo. ''A tendência para os próximos meses é que o risco recue e haja uma volta de fluxos de financiamento externo, levando a uma valorização do real'', diz. ''Mas dificilmente o dólar cairá para R$ 3.'' Nas simulações do banco, seria necessário que a moeda americana estivesse cotada a R$ 3,20 para haver uma manutenção dos resultados deste ano, com saldo da balança em cerca de US$ 12 bilhões e déficit em conta corrente de US$ 9 bilhões.
Já Guilherme Braga, diretor-geral do Conselho de Exportadores de Café Verde do Brasil (Cecafé), afirma que uma valorização de até 10% do real não afetaria a competitividade do café brasileiro. ''Com o dólar neste patamar, não teríamos alterações substanciais'', diz Braga.

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