Ouvir os alunos sobre o ensino. Esse foi o objetivo de uma pesquisa realizada por entidades governamentais e do setor privado e divulgada nesta terça-feira (9). E o levantamento foi amplo. Mais de 2,3 milhões de estudantes dos chamados anos finais do ensino fundamental – que compreendem o 6º, 7°, 8º e 9º anos - de 21 mil escolas do país foram entrevistados.

Chama a atenção que mais da metade dos estudantes diz se sentir acolhida pela escola, mas menos de 40% dizem respeitar e valorizar o professor. O estudo é fruto de uma parceria do MEC (Ministério da Educação), Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), a Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação) e o Itaú Social.

Durante o lançamento do relatório, em Brasília, a secretária da Secretaria de Educação Básica do MEC, Katia Schweickardt, afirmou que a escuta ajuda o poder público a entender que “todos aprendem de um jeito diferente” e que “todo mundo sabe algo, baseado nas experiências individuais”. Por isso, acrescenta ela, é necessário preparar professores, equipamento escolar e comunidade para as diferentes especificidades.

As percepções dos alunos, colhidas em questionários e dinâmicas coletivas, foram dividas em dois grupos: os alunos mais novos, do 6º e 7º ano, e os mais velhos, do 8º e 9º anos. Apesar da pouca distância de idade, é possível encontrar importantes contrastes entre as respostas. De forma geral, estudantes dos 8º e 9º anos têm uma visão menos positiva sobre a escola do que aqueles de 6º e 7º anos.

No quesito “acolhimento e pertencimento”, 66% dos mais jovens disseram que se sentem acolhidos pela escola - 27% veem a experiência como parcial e 7% discordam. Já entre os mais velhos, apenas 54% sentem-se amparados, 33% se consideram “mais ou menos” acolhidos e 13% discordam.

Na mesma temática, 75% dos estudantes dos 6º e 7º anos afirmaram que confiam em pelo menos um adulto na escola, mas apenas 58% sentem-se verdadeiramente acolhidos por esses adultos. Entre os do 8º e 9º anos, o percentual de acolhimento cai para 45%.

A pesquisa destaca que, em escolas com maior proporção de estudantes em situação de vulnerabilidade, 69% percebem a escola como espaço de acolhimento, contra 56% em contextos de menor vulnerabilidade.

Ao investigar como os alunos se sentem em relação aos relacionamentos e à socialização na escola, 65% dos estudantes dos 6º e 7º anos concordam que a escola favorece amizades e interações sociais, com 29% considerando “mais ou menos” e 6% discordando. Para os do 8º e 9º anos, 55% concordam, 35% avaliam como “mais ou menos” e 10% discordam.

O relatório destaca ainda que oito em cada dez estudantes (84% nos 6º e 7º anos e 83% nos 8º e 9º anos) têm amigos com quem gostam de estar na escola. No entanto, o estudo alerta para os desafios na relação aluno-professor: apenas 39% dos mais novos e 26% dos mais velhos afirmam respeitar e valorizar os professores.

O número é baixo e preocupante. Os professores deveriam ser referências para os jovens não apenas porque ensinam as disciplinas, mas também porque preparam os alunos para o futuro. É senso comum dizer que a educação é o caminho para o crescimento do país, mas historicamente a área não é prioridade dos governos. E o pequeno número de alunos que respeitam os docentes é apenas um reflexo de uma sociedade que não valoriza adequadamente esses profissionais.

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