Valorização da educação
O retrato atual do Brasil, sem dúvida, reflete a falta de investimentos em educação. Do abaixo índice de aprendizagem de crianças e jovens, à falta de mão de obra qualificada; dos altos percentuais de criminalidade, à corrupção que assola a administração pública. Todos esses fatores estão relacionados à falta de educação de um povo. A afirmativa ainda é corroborada pela entrevista publicada ontem nesta FOLHA em que a diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, afirma que falta valorização ao professor e à escola.
Um dos exemplos é a própria remuneração dos professores, bem abaixo de outras categorias profissionais. O piso nacional do Magistério, definido em R$ 1.451 para este ano, está longe do aceitável pelo mercado, e ainda não será adotado pelo Paraná. O professor, que é o alicerce para a formação de todos os outros profissionais, tem que ter uma base cultural sólida e contínua. Além disso, eles utilizam o seu período de descanso para a preparação de aulas e para a correção de provas. No entanto, com uma baixa remuneração, é natural que a profissão fique desprestigiada e que deixe de atrair muitos talentos.
A escola também deixou de ser valorizada pela sociedade atual. A falta de limites que impera na educação das crianças, também é refletida pelos pais. Erroneamente ao longo dos anos a responsabilidade pela educação foi sendo repassada à escola e aos professores. No entanto, quando uma situação mais crítica exige a adoção de uma medida mais severa os pais acabam se voltando contra a escola.
De fato o cenário atual é preocupante, mas infelizmente não será revertido tão rapidamente. Terá que ser promovida uma campanha intensa e prolongada de valorização da educação e de seus profissionais. É preciso que a sociedade se una em torno do objetivo maior para cobrar aumento dos investimentos e do orçamento destinado à educação. É um trabalho árduo, mas somente com a educação o retrato do Brasil poderá ser modificado.





