Valendo-se de ponte mas sem consertá-la
A concessionária Rodonorte, que arrecada o pedágio no Norte Pioneiro, vale-se da ponte sobre o rio Samambaia (entre Guariaiva e Sengés) mas não a conserta. Diz que só fará obras ali em caráter emergencial e mandará a conta para o Departamento de Estradas de Rodagem. A ponte apresenta rachaduras, e também foi observado um afundamento próximo em parte da pista da PR-151, portanto problemas estruturais graves e que não podem esperar para serem corrigidos, conforme avalia o Secretário dos Transportes, Rogério Tizzot.
Esse reparo de emergência só será feito ''para restabelecer o fluxo da rodovia'' - afirma nota da Rodonorte, isto significando que sem a ponte não haverá tráfego na estrada e que, portanto, a concessionária se beneficia dessa passagem. Se a alegação da empresa é que ''o DER não tem o direito de ordenar obras fora do que está nos contratos'', a verdade é que a ponte favorece a cobradora do pedágio, mas nem esse reparo ela se dispõe a realizar por sua conta. As concessionárias têm demonstrado que não desejam gastar nenhum tostão extra, e basta um pequeno aceno de perder receita, mesmo que pequena, para acessarem seus mecanismos de reação. Se são beneficiárias de uma concessão, não fazem concessões e demonstram uma grande voracidade arrecadadora. Mesmo que tenham razões legais e se estribem no que está prescrito nos contratos, postam-se como se fossem inimigas da outra parte contratante, que é o Estado, portanto o povo. Porque quando o poder público visou alguma revisão para beneficiar o usuário, essas empresas conveniadas imediatamente contestaram.
Seus dirigentes proclamam que se dispõem a negociar, mas pela amostragem não se crê que pensem em conceder algo graciosamente. Assim quisessem, não teriam recorrido à Justiça todas as vezes que o Governo impôs algum favorecimento aos motoristas. E foram vários, sempre derrubados pelos juízes. O público nem sabe se os contratos são seguidos à risca pelas concessionárias nas obrigações que lhes competem, porque deficiências existem nas rodovias pedagiadas, não se sabendo precisamente o que os papéis assinados estabelecem quanto a isso. Um negócio como o pedágio é de interesse bilateral, mas a impressão que fica é que só uma das partes - a das empresas - tem direitos. Talvez falte um endurecimento mais vigoroso do governador Roberto Requião, que mesmo parecendo avesso a negociar - talvez imaginando que de nada adiantará e que não irá extrair água de pedras - é a outra parte nos contratos e representa 10 milhões de paranaenses nesse processo. Porque, mesmo os não-usuários das rodovias pedagiadas acabam pagando o custo desse acordo leonino celebrado há dez anos pelo governador Jaime Lerner.





