Evelyn Mayer

O século 20 foi bombardeado com a renovação do pensar e suas manifestações. Cansado com as transformações ocorridas desde o Trovadorismo na Era Medieval, o Modernismo, tal qual um Tsunami, inundou a sociedade com as mais diferentes atitudes artísticas provenientes de uma mudança comportamental e de pensamento.
É verdade que essas alternâncias não começaram drasticamente no final do século 19; a Revolução Industrial na Europa no século 18 propiciou um desencadeamento de renovação do pensar do cidadão ocidental, além do Iluminismo, que privilegiava a Ciência e a Razão, despertando, assim, no século 19 uma enormidade de correntes filosóficas que culminariam numa riqueza cultural nas várias frentes artísticas; frentes essas em que todo e qualquer cidadão sentia-se livre para expor as observâncias de sua alma ante tais realidades.
E como expôs! Nos tempos da Primeira Guerra vemos o Dadaísmo, assim chamado por representar a falta de sentido que a linguagem pode vir a ter (e como vem a ter, não é mesmo?), personificado em Tristan Tzara; o Surrealismo marcando presença entre as duas grandes guerras; já no pós-Segunda Guerra, com a consolidação do urbanismo, via-se o Futurismo e o Modernismo nas edificações, a transformação do cinema, a renovação da música e a liberdade de escrita.
Sim, o início da Era Moderna, parece-me, um período em que os sujeitos decretaram o fim às normas. Não era como nas outras escolas artísticas, em que havia determinadas "ordens". Não! O Modernismo veio para dizer que podemos fazer o que entendemos ser arte, sem com isso "sacrificar" o senso de arte. Futurismo, Expressionismo, Cubismo.... tudo junto e misturado!
Tempo, também, em que as mulheres tomaram a frente como nunca antes! Pensar que Anitta Malfatti precisou encarar um Monteiro Lobato, que a priori, não conseguiu compreender sua arte expressionista, é observar que a mulher não seria mais uma mera personagem, muito menos exerceria um papel secundário: ela entrava para a História como protagonista!
Entretanto, sabe-se lá por que, algumas mulheres resolveram perder-se pelo caminho.
Vi esta semana uma notícia em que estudantes de uma universidade brasileira (não direi o nome para não dar mais ibope), membros de um projeto feminista, resolveram protestar exigindo direitos às mulheres de empoderarem-se. A via foi a mais triste possível: urinaram em baldes, ameaçavam jogar a urina nos transeuntes e masturbavam-se em frente à biblioteca da universidade. Estavam nuas e gritavam palavras de ordem. Tudo à luz do dia.
É óbvio que chocaram os espectadores, mas me pergunto se é o tipo de choque que causa mudança, que leva à reflexão e que gera transformação, ou aquele que leva ao distanciamento de um debate sério dado à ojeriza que se sente em situações como esta, levando um assunto tão sério à beira do descrédito.
Cabe, então, responder à pergunta que nomeia este texto: vale tudo para empoderar? Respondo que não. O que vale, nesses assuntos, é a seriedade, não a aberração. Até porque, as mulheres que querem esse empoderar não desejam, sob hipótese alguma, atrelar suas imagens às orgias travestidas de manifestos. Para elas, empoderamento nada tem a ver com masturbação em público. Tem, sim, a ver com reflexão, respeito, justiça e, acima de tudo, valorização de sua dignidade. Isso, sim, é o que elas querem.

EVELYN MAYER é professora de Língua Portuguesa e especialista em Educação de Jovens e Adultos em Londrina



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Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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