Vale-alimentação a vereadores e o orçamento público sob pressão
Quanto mais as câmaras municipais conseguem economizar, mais dinheiro os municípios terão para os serviços essenciais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de junho de 2025
Quanto mais as câmaras municipais conseguem economizar, mais dinheiro os municípios terão para os serviços essenciais
Folha de Londrina 
No momento em que muitos municípios brasileiros enfrentam limitações orçamentárias bastante graves, algumas câmaras municipais paranaenses estão criando novas despesas com auxílio-alimentação para os vereadores.
Na semana passada, a FOLHA mostrou que os vereadores de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) terão direito de receber auxílio-alimentação de R$ 770 após a aprovação de um projeto de lei, matéria que ainda aguarda sanção do prefeito Gil Martins (Republicanos).
Nesta semana, o jornal trouxe outros exemplos de municípios que seguem a mesma direção, mas na contramão do governo do Estado e de algumas prefeituras - como a de Londrina - que vêm determinando contingenciamento de gastos neste ano, frente ao cenário de dificuldade econômica.
É o caso dos vereadores de Barbosa Ferraz, cidade do Centro-Oeste com cerca de 10,6 mil habitantes. Está em vigor a lei 2.754/2025 que fixa em R$ 1 mil o auxílio para os nove parlamentares do município. Em Agudos do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), onde moram pouco mais de 10 mil pessoas, também já está valendo a lei 1.288/2025, que garante o benefício de R$ 918,47 para os nove vereadores.
Outra cidade a pautar o benefício foi Jaguariaíva (Campos Gerais). A Câmara chegou a aprovar em primeiro turno, na última quinta-feira (12), o PL para criar um auxílio de R$ 1,2 mil para os 13 vereadores, mas a proposição deve ser retirada de pauta após pressão popular.
Como se tratam de verbas indenizatórias, o auxílio-alimentação dos vereadores encontra respaldo na Constituição. Mas são matérias com profunda rejeição popular. Em Santo Antônio da Platina e Jaguariaíva, por exemplo, as votações foram marcadas por protestos nas galerias do Legislativo.
Mesmo sendo legal, um dos questionamentos feitos é se há real necessidade de indenizar os valores para os parlamentares. O Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) já se manifestou contra a concessão do auxílio-alimentação, entendendo que a legitimidade do benefício está “intrinsecamente relacionada com a presunção de que o agente está sujeito a jornada de trabalho diária, contínua e superior a seis horas com intervalo para alimentação, o que não ocorre no caso dos vereadores”.
É sempre bom lembrar que quanto mais as câmaras municipais conseguem economizar, mais dinheiro os municípios terão para os serviços essenciais. Hoje, muitas famílias trabalham arduamente para garantir o básico. A aprovação de auxílios adicionais aos vereadores, como auxílio-alimentação na casa de R$ 1,2 mil, indica uma discordância com a realidade econômica enfrentada por milhões de brasileiros.
Direcionar recursos públicos para custear alimentação de vereadores – que já recebem salários compatíveis com suas funções – compromete a alocação responsável das verbas municipais.
Obrigado por ler a FOLHA!


