Uma conjugação negativa, de vaidades e inapetência política, está prejudicado a campanha da oposição à Presidência da República. Primeiro, o partido de José Serra, o PSDB, gastou um tempão inútil tentando convencer o menino mimado de Minas Gerais a aceitar a ser vice. Seu charme ensejou lances hilariantes (houve até beijos, lembram?) para o deleite dos críticos, principalmente os chargistas. Agora, a indicação do paranaense Alvaro Dias é rejeitada pelo DEM. Os democratas, todos zangados e cheios de dedos, propõem até o rompimento com o PSDB na convenção nacional do partido, quarta-feira. Mas deve ser tudo de mentirinha. O DEM iria parar no ninho de quem? Com que cacife político?
Antes disso, isto é antes dessa ergofobia ao trabalho de amarração de compromissos partidários, as negociações não avançavam. Demorou para Serra se manifestar. E não faltou quem debitasse o marasmo, ou pelo menos parte da culpa, ao ex Fernando Henrique Cardoso. Para esses críticos, o estático FHC, tinha necessidade de fazer-se figura maior no partido. Normal, dizem, mas atrapalhou. Serra, para retomar (na verdade, para iniciar) a campanha terá, agora, de promover uma espécie de desprofanização do espaço político onde se acotovelam DEM e PSDB, gente sem pedigree para oposição; com vocação apenas de se abrigar-se no poder. A história que nos perdoe.
Com esses perfis fora de moda, Serra vai enfrentar, do outro lado, uma candidatura ousada, que se aproveita a todo vapor - e às vezes sem pudor -, da máquina administrativa, generosa e farta. Uma candidatura que responde e abafa rapidamente qualquer indício de questionamento e crítica. E que, por isso mesmo, tem seus méritos pelo menos neste particular. Já a oposição, paradoxalmente, se mostra sempre tímida, não identifica dezenas de pontos falhos, tão salientes, na campanha da candidata do governo. Quando muito recorre à Justiça eleitoral apontando transgressões à legislação, mas não encontra uma resposta rápida da Justiça Eleitoral, tão generosa.
Alvaro, que o DEM rejeita por não ser a melhor escolha, pelo menos se posiciona, coisa que a maioria dos políticos não costuma fazer.
Longe de pender para oposição ou situação, este texto pretende registrar os caminhos tortuosos dos partidos. E como os políticos, independente da sigla, conseguem colocar seus interesses acima do coletivo.

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