Vaias e eleição
As vaias à presidente Dilma Rousseff (PT), na quinta-feira durante abertura da Copa do Mundo, significam o descontentamento da população em relação ao governo federal. Pesquisas de opinião indicam que a popularidade da presidente vem caindo desde o início do ano e atualmente se aproxima do ponto mais baixo que ela já alcançou, no auge das manifestações em junho do ano passado. Seu governo é avaliado ótimo ou bom por 33% dos brasileiros.
Com os indicadores econômicos ruins, a manifestação contrária à presidente em um grande evento era esperada. Inflação em alta, desemprego crescente entre os jovens, aumento da taxa básica de juros, baixo nível de investimentos em infraestrutura e obras de mobilidade urbana que sequer saíram do papel são apenas alguns dos motivos da hostilidade. Tanto que sabendo do desgaste, Dilma não discursou e tentou manter discreta a sua presença.
O fato é que à frente do Executivo nacional, Dilma chega extremamente desgastada ao período pré-eleitoral. O descontentamento da população com relação à condução do País ficou claro no ano passado. Sem uma pauta definida, mas com várias reclamações a respeito da má qualidade dos serviços públicos, os brasileiros ganharam as ruas e protestaram. Além disso, foram pouquíssimos avanços durante estes 12 meses. Promessas de reformas não prosperaram e os serviços continuam ruins. Ainda tem o ingrediente "economia" - que vai mal e os recentes escândalos de corrupção na Petrobras, a principal estatal brasileira.
Dilma enfrenta um cenário hostil é preciso reconhecer isso. Também deve-se afirmar que a economia não vai bem, que o atual modelo se mostra saturado e que não há indícios de melhora. Além disso, crescem manifestações contrárias à continuidade do Partido dos Trabalhadores no poder. Resta saber se a oposição terá fôlego para derrotar a presidente, que tem a máquina pública na mão e os milhões de votos angariados pelas "bolsas" distribuídas.





