Londrina pode enfrentar, em um futuro não muito distante, vários casos de dengue hemorrágica com mortes. O alerta foi feito pelo próprio secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes. ''Infelizmente, não será surpresa se houver casos de dengue hemorrágica na cidade. A história das epidemias mostra isso'', afirmou. Segundo ele, é preciso que a população se mobilize para acabar com o mosquito transmissor antes que seja tarde. ''Dificilmente escaparíamos de ter casos do tipo se a coisa continuar como está. Vai morrer gente de dengue em Londrina'', avisou. Fernandes falou, em entrevista às repórteres Chiara Papalli, Luka Morais e Telma Elorza, sobre a questão da epidemia de dengue na cidade, rebateu críticas de médicos que alertaram sobre a gravidade do problema e a falta de ações mais eficazes pelo Poder Público. Também comentou sobre as medidas que a Secretaria está tomando para reverter a situação, além da parceria necessária com a comunidade para vencer um mosquito que está infernizando a vida de pobres e ricos no Brasil todo.
Folha - Somente agora foi admitido que existe uma epidemia de dengue em Londrina. O que muda com essa admissão?
Sílvio - Em nenhum momento nós dissemos que não havia uma epidemia. Se você for bem rigoroso no ponto de vista técnico, no caso de uma doença que já existia em anos anteriores em Londrina, a epidemia se caracteriza por você ter um determinado comportamento da incidência da doença e aí, depois de alguns anos que você tem a idéia de um limite de casos, do chamado limiar epidêmico, se algum determinado ano ultrapassa aquele limiar, você pode dizer que tem epidemia.
Folha - Mas, afinal, hoje, Londrina vive ou não uma epidemia?
Sílvio - Londrina vive uma epidemia.
Folha - Se o senhor admitisse, desde o início do ano, que era uma epidemia, a cidade não estaria mais alerta, evitaria a situação atual?
Sílvio - Sempre chamamos a atenção para a gravidade da situação. Em nenhum momento deixamos de destacar isso. Agora você utilizar uma caracterização que tecnicamente não é adequada também não é correto, não é o que se espera das autoridades, tanto municipais quanto estaduais. Se espera utilizar parâmetros técnicos para definir as coisas.
Folha - E o que muda com esse fato?
Sílvio - Na prática as medidas que o poder público tem tomado já estão relacionadas a uma situação de epidemia desde dezembro. Do ponto de vista da ação pública, ela já se configurou independentemente do nome ou não.
Folha - Mesmo assim o número cresceu bastante, são 707 casos. Onde o Poder Público falhou?
Sílvio - O que o Poder Público tem a obrigação de fazer é procurar reduzir o número de focos através de ações educativas, fiscalização, tendo por exemplo uma proporção adequada de número de agentes imóvel, fazer o levantamento período de como está o índice de infestação do mosquito. Quer dizer, a nossa responsabilidade é grande mas ela é limitada para uma doença com essas características. Não quero dizer que nosso trabalho é perfeito. Qualquer administração pública tem aspectos positivos e negativos. E em Londrina não é diferente.

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