VAGAS REDUZIDAS MERCADO CRESCE, EMPREGO ENCOLHE
Londrina, o primeiro município do interior do Brasil a constituir uma Região Metropolitana, em 1998, formada pelas cidades de Bela Vista do Paraíso, Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia e Tamarana, passa por uma situação econômica preocupante, principamente quando o enfoque é o mercado de trabalho: o perfil do desenvolvimento é nítido, mas o número de vagas não acompanha.
Em 1950, a população urbana de Londrina representava menos de 50% do total de habitantes do município. Em 2000, contabilizadas 446.822 pessoas vivendo na região, 96,96% já davam preferência à cidade. Só a criação da Região Metropolitana acrescentou à cidade cerca de 215 mil pessoas potencialmente propensas a utilizar sua rede industrial, comercial e de serviços.
Avançando ainda mais, Londrina foi escolhida como sede da Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema), que congrega 21 municípios e conta, no total, com uma população estimada em 846.885 habitantes.
Na esteira desse expressivo crescimento urbano, o mercado expandiu-se em praticamente todos os setores. De acordo com dados da prefeitura, de 1994 a 2000, as indústrias em atividade no município de Londrina aumentaram em pouco mais de 35%, passando de 2.244 unidades para 3.485. No comércio, segundo a mesma fonte, o crescimento foi um pouco menor em torno de 27% , mas, em compensação, sempre contou com uma base muito mais ampla, partindo de 10.424 estabelecimentos em 1995, e para 14.372 em 2000. O que enche os olhos, no entanto, nesse mesmo período, é o vigor demonstrado pelo setor de serviços, que saltou de 8.050 estabelecimentos, em 1995, para 13.612 em 2000, praticamente se igualando à representatividade do setor comercial na cidade.
Para o trabalhador, no entanto, que está à procura da primeira ou de uma nova oportunidade no mercado, o cenário é muito menos inspirador. Como informa o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do MTPS/SINE, as oportunidades de emprego em Londrina encolheram, caindo de 101.272 ofertas em 1994, para 91.018 em 2000.
Para David Dequech, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), a explicação dessa expressiva redução é simples: ''A legislação trabalhista, com o objetivo de proteger o emprego, consegue efeito exatamente contrário''. O excessivo custo dos encargos que recaem sobre as folhas de pagamento das empresas, em sua opinião, determinaram o enxugamento das oportunidades de emprego. ''Forçados por essa situação os empresários estão investindo em automação industrial e em auto-atendimento, no varejo, que não oferece nenhum conforto ao cliente e muito menos se torna um atrativo de vendas, mas desonera o custo com a força de trabalho'', avalia. Assim, complementa, ''criaram-se formas de não criar empregos''.
''O Estado cobra muito e oferece pouco em troca'', argumenta ainda, lembrando a extorsiva tributação e o excesso de regras que entravam o fluxo natural dos negócios. ''É um cipoal regulamentatório montado por gente que não tem a menor noção do que é produzir'', queixa-se.
Se os empresários não investem na ampliação de seus quadros de funcionários e, ao contrário, buscam formas de reduzi-los, as oportunidades de emprego vão rareando. Sob essa perspectiva, a baixa taxa de crescimento da economia brasileira não se mostra capaz de aquecer os negócios. No fim, todo o mercado se ressente, pois, como afirma David, ''trabalhador bem pago é trabalhador que compra''.





