VAGAS REDUZIDAS Êxodo rural gera problema urbano
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sábado, 07 de setembro de 2002
Ana Setti<br> Reportagem Local 
''Como mariposas atraídas pelas luzes da cidade, a população rural tem migrado para a zona urbana de forma continuada'', comenta Nilson Ladeia, secretário Municipal da Agricultura de Londrina. Em sua avaliação, isso ocorre, basicamente, ''porque não existe no Brasil uma política agrária que estimule a manutenção dessas famílias em seus locais de origem, como é feito nos Estados Unidos e na Europa''.
Contudo, de acordo com os dados do MTPS/SINE, que indicam, no geral, um sensível encolhimento das oportunidades de emprego no município, o setor agropecuário, de extração vegetal, caça e pesca foi um dos poucos que registrou crescimento, passando de 941 empregos, em 1994, para 2.616, em 2000. Só que, ainda assim, a representatividade dessa oferta de trabalho, em relação ao total do mercado, é muito pequena: 2,87%.
Isso se deve, com certeza, ao rareamento da população rural, que, em 1950, compunha 52,07% da população do município, e, em 2000, colaborava com apenas 3,04%. Nesse meio século, além do intenso êxodo, a área rural experimentou outras profundas mudanças, que, quase sempre, levaram os micros e pequenos produtores de uma situação ruim para outra, ainda pior. Atualmente, no município de Londrina, como explica Ladeia, ''80% das propriedades rurais têm área menor do que 50 hectares, sendo que as outras 20% detém 60% das terras, a maior parte delas ocupadas por pastagens, que pouco geram em termos de necessidade de mão-de-obra''. Hoje, as grandes e altamente mecanizadas produções agrícolas dividem-se entre milho, trigo e, especialmente, soja, que obteve este ano um resultado de 118.335 toneladas, de acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado, explorando uma área de 40.250 hectares.
Mas ainda há café na região, como lembra Ladeia. ''Com 6 mil hectares, divididos em pequenas propriedades, tocadas por grupos familiares, a área de produção de café na região é a maior do Paraná''. As oscilações do tempo e da política, no entanto, tendem a tornar cada vez mais insegura a situação do ''homem do campo''. E é ele que tem ido em busca de soluções caseiras para poder continuar sobrevivendo daquilo que sabe fazer. Assim, a mudança sutil para o agronegócio, que agrega valor ao produto primário da agricultura e que, ao lado da aposentadoria de algum dos membros da família, reforça o rendimento doméstico, garantindo a sobrevivência no período das entressafras.
Mais à margem do mercado, está aquele trabalhador rural que não é pequeno proprietário, nem conta com emprego fixo na produção agrícola. Por isso, tenta sobreviver como ''bóia-fria'', garantindo ocupação todos os anos por, pelo menos, 6 meses. Contudo, sem terra e sem emprego fixo, resta o problema de onde morar e a maioria não tem dúvida de procurar abrigo na cidade. ''Cerca de 80 mil trabalhadores rurais encontram-se hoje nos 43 assentamentos, ou ''favelas'', existentes em Londrina'', afirma Maria Pinheiro Pereira, mais conhecida como ''dona Lina'', coordenadora do Grupo de Articuladores dos Trabalhadores Rurais Temporários.
Curiosamente, o emprego temporário que esse trabalhador rural consegue não é na região. Há movimentos migratórios, em fins de abril e maio, levando o trabalhador local para São Paulo, na colheita da laranja, para Minas Gerais, na produção de café, e para Santa Catarina, no corte de cana. ''Este ano'', informa dona Lina, ''seguiram 108 ônibus da região norte do Paraná para esses estados, levando 2.280 pessoas''.


