Há muito a se comemorar no Dia do Trabalho deste ano. As ofertas de vagas estão em alta e existe uma política de valorização do salário no setor privado. Entretanto, não devemos esquecer um gargalo pelo qual passa o setor produtivo. Faltam profissionais qualificados. Em 2011, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), devem ser abertas 1,7 milhão de vagas formais em todo o País.
  O mesmo levantamento coloca o Paraná em destaque. O Estado será o quinto maior gerador de postos de trabalho, ficando atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Devem ser criados 109.737 empregos. Os setores que mais contratarão são comércio, indústria e construção civil.
  O bom desempenho melhora os índices de empregos formais. Estudo do próprio Ipea mostra que a proporção de trabalhadores formalizados (funcionários públicos estatutários e empregados com carteira assinada) pulou de 37,9% para 44,2%. Mesmo assim, mais metade da população economicamente ativa (PEA) brasileira continua na informalidade.
  Uma das respostas para essa questão pode ser encontrada na reportagem especial que esta FOLHA publica hoje. No Paraná, vagas deixam de ser preenchidas, pois faltam candidatos capacitados. Uma saída está no investimento em qualificação profissional. O governo federal autorizou nessa semana que empresários financiem a participação dos funcionários em cursos técnicos de instituições privadas habilitadas pelo Ministério da Educação (MEC). Os interessados terão acesso a recursos com juros mais baixos.
  Além disso, o governo Dilma lançou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec). Do orçamento previsto para este ano de R$ 1 bilhão, R$ 700 milhões serão distribuídos por bolsas de estudo e outros R$ 300 milhões vão para o financiamento estudantil. O Pronatec prevê ainda a construção de mais de 200 escolas técnicas até 2014.
  Diante de tal número de oportunidades, o trabalhador precisa escolher bem a área de formação. Pesquisa aponta cerca de 1 milhão de pessoas com qualificação e experiência que deverão figurar como excedente de mão de obra em 2011. Há incompatibilidade entre qualificação desses trabalhadores e a qualificação exigida pelo mercado. Se antes o maior desafio era conseguir trabalho, hoje está em escolher a área certa.

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