É o médico e professor Adib Jatene, que foi ministro da Saúde, quem afirma que, nos últimos trinta anos, assistiu-se no Brasil a uma acelerada urbanização não acompanhada de infra-estrutura, seja no saneamento básico, como na água de qualidade, coleta e tratamento do esgoto, destino adequado para o lixo, moradia, educação, segurança, salário, lazer, enfim condições mínimas para uma vida saudável. O Sistema Único de Saúde funciona, quando o paciente é atendido - pela dedicação de médicos, enfermeiros e hospitais - mas muitos não conseguem vaga para fazer cirurgia no tempo hábil da necessidade, e assim sofrem desnecessariamente ou morrem.
A aplicação gratuita da vacinação contra a gripe é um serviço público, e deve-se admitir sua eficiência. Agora é o momento de os idosos (com mais de 60 anos) prevenir-se daquele mal e se vacinarem. Essa cruzada começou no último sábado e vai até o próximo dia 9. É uma oportunidade que não pode ser perdida pela população brasileira que está nessa faixa mais avançada de idade. Porque isso significará menos sofrimento, e para o poder público - que se vale do dinheiro do povo - representará menos custo social com problemas decorrentes do eventual agravamento de uma gripe. Que, no caso do idoso, pode abalar também outros sistemas do organismo e resultar em hospitalização. O último levantamento do IBGE é do ano de 2000 (em tudo está a marca dos muitos atrasos, no Brasil) e registrava a presença de 14,5 milhões de idosos, que correspondiam a 8,6% da população. Como houve crescimento populacional, pelo aumento da expectativa de vida, hoje a comunidade dos idosos deve estar em torno de 17 milhões. Que precisam ficar atentos à vacinação.
Essa legião de pessoas não está totalmente na dependência de filhos ou instituições, como se possa imaginar, porque a estatística mostra que, ao contrário, dentre eles 68,6% dos homens e 37,6% das mulheres são chefes de família e garantem a manutenção do lar e o sustento de seus dependentes. E como eles passaram a se cuidar melhor, seu tempo de vida (que hoje é em média de 68,6 anos) aumentou, significando que, doravante, o Brasil terá uma maior proporção de idosos. E se os atendimentos públicos de saúde melhorarem, os idosos não apenas durarão mais, mas também viverão a velhice em condição mais saudável, como acontece nos países adiantados. Só o presidente Lula parece não entender isso, pois agora quer cortar verbas adicionais para a saúde pública.

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