Vacina contra a mudança
Os políticos, como classe organizada, não podem cobrar uns dos outros o tão proclamado respeito às regras do jogo. É que se tornou praxístico, quase como uma norma, a baixaria como regra comportamental. Ilustra-o com máxima clareza a briga de navalha em quarto escuro pelas nomeações do segundo escalão do governo federal hoje traduzida na chantagem de utilizar os percentuais do salário mínimo para submeter o PT às conveniências do seu consócio PMDB. Pelo menos há alguma tensão e não se faz acerto como o que prevaleceu na eleição recente, pela oitava vez, de João Claudio Derosso na presidência da Câmara de Curitiba e tende a prevalecer na da Assembleia Legislativa (AL).
As coisas na AL caminhavam para a ratificação do nome de Valdir Rossoni por imposição de uma ala do PSDB afinada com o governador Beto Richa. Um consenso prévio se estabelecia para ungir uma liderança que não soube manter sob o seu controle a bancada do partido e que votava sistematicamente a favor do governo estadual em sua maioria. Bastou agora um dos integrantes daquele grupo majoritário, e que aliás chegou a integrar uma secretaria - a do Trabalho - Nelson Garcia, sugerir a intenção de montar uma chapa alternativa para que o coreto balançasse. Curiosamente a pasta é a mesma que hoje é ocupada pelo ex-líder de Requião, Luiz Claudio Romanelli, o que dá bem a ideia de como são fortes e bem enraizadas as posturas dos nossos representantes.
Embora Garcia não tenha confirmado a intenção de refazer as negociações, elas mostram como é frágil o tecido político. E é essa circunstância que explica a leniência não apenas do parlamento, mas de boa parte da sociedade em relação aos abusos detectados pelo Ministério Público naquele poder e que Rossoni promete clarear como os dirigentes atuais fizeram com a transparência e o Portal sempre corrigidos e nunca transformados em base segura para que o público saiba o que lá ocorre. Há aqui uma vacina contra a mudança.





