Vacina contra a Covid-19: Um choque de realidade
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quarta-feira, 04 de novembro de 2020
Folha de Londrina 
Na última segunda-feira, a presidente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Nísia Trindade, veio a público com um provável cronograma de início de fabricação e aplicação da vacina contra a Covid-19 que o órgão desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. A expectativa da Fiocruz é que o imunizante comece a ser utilizado no país no primeiro trimestre de 2021. Janeiro e fevereiro seriam meses de produção do imunizante e a partir de março, na melhor das hipóteses e passando pela aprovação da Anvisa, chegariam aos primeiros grupos de pessoas a receberem as doses.
O anúncio de um cronograma já para o primeiro trimestre do ano que vem é bastante positivo. Há outras instituições desenvolvendo vacinas e algumas autoridades anunciaram o produto para ainda este ano. Mas é preciso ser realista e o cronograma da Fiocruz traz justamente o choque de realidade que precisamos. Vamos virar o ano convivendo com o coronavírus, que continua circulando por aí, fazendo vítimas.
Os países da Europa que tiveram um verão um pouco mais tranquilo, passam agora pela segunda onda da Covid-19 impondo restrições e isolamento social aos habitantes.
A presidente da Fiocruz lembrou que o acordo com Oxford assegura ao Brasil 100 milhões de doses no primeiro semestre de 2021. Mais importante ainda é a transferência de tecnologia, permitindo à Fiocruz a produção da vacina a partir do segundo semestre de 2021.
Há várias vacinas sendo pesquisadas mundo afora, incluindo no Brasil. Quanto mais iniciativas derem certo nessa corrida dramática pelo imunizante será melhor. Principalmente porque um estudo feito pela Duke Global Health Innovation Center, nos EUA, apontou que os países ricos e alguns emergentes já reservaram 3,8 bilhões de doses para seus habitantes e que a população dos países mais pobres poderá ter acesso a uma vacina somente em 2024.
Sabe-se que a criação de uma barreira para impedir a circulação do novo coronavírus virá com a produção em larga escala da vacina e sua aplicação em massa. Portanto, é preciso constatar que a vacina contra a Covid-19 será revolucionária, mas não interromperá a circulação do vírus imediatamente.
Assim como a pandemia mostrou o quanto o mundo está interligado, o controle da Covid-19 dependerá mais de ações globais e menos de iniciativas isoladas.
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