Depois dos discursos de posse dos vereadores - em que se fez um estrago no idioma, de arrepiar professores de Português e seus alunos mais aplicados -, a Câmara Municipal de Londrina se reuniu para a escolha do presidente. Por circunstâncias também o prefeito, em mandato tampão.
E foi durante essas articulações que os políticos deixaram entrever toda sua dificuldade em lidar com os interesses públicos sem misturá-los com interesses de grupos. Embora tais articulações já estivessem em marcha semanas atrás, muitos acertos ficaram para última hora atrasando um evento que poderia ser consumado em duas ou três horas de trabalho.
E que poderia merecer o nome de evento cívico.
Desinformações em profusão, acusações de rompimento de compromissos, ilações, enfim na medida em que o tempo passava, a sessão histórica foi declinando em seu nível. Muitas negociações foram realizadas a portas fechadas em dois gabinetes. Tudo deixava entrever composições suspeitas e sigilosas.
Falta de convergência existe sempre. Discussões são inerentes à política partidária. Mas no caso da Câmara, ontem, os atores deixaram vigorar a idéia de que havia muito mais do que a preocupação com os destinos da cidade; muito mais que questões partidários passíveis da cena política. Parecia, com pouco disfarce, um jogo de interesses individuais.
A estréia não foi boa para uma Câmara depositária de confiança. De confiança e, sobretudo de esperanças. Não foi boa para um grupo de vereadores que está chegando para resgatar a moralidade perdida na gestão anterior.
O jogo democrático comporta a diversidade de opiniões. É salutar. A heterogeneidade das correntes representativas é democrática e benéfica. Mas não se pode chamar de democrática a insistência com que se disputam cargos que pressupõem poder.
As exacerbações, contudo, não devem impedir que o novo presidente - e prefeito interino - Padre Roque, faça uma boa gestão. A cidade, resignada, quer levantar a cabeça e prosperar.

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