Dirigentes de setores da saúde pública em Londrina, reunidos com os vereadores na Câmara Municipal, deram um toque menos preocupante com relação aos casos de superlotação nas Unidades de Terapia Intensiva (as UTIs) dos hospitais da cidade. Mas fizeram a advertência de que, em caso de emergência - eventualmente um acidente envolvendo muitas pessoas - será ''uma situação de guerra''. Esse encontro foi motivado pelo recente caso de um jovem que morreu, no Hospital Universitário, sem poder ser internado na UTI pela insuficiência de vaga, embora ele tenha sido atendido de outra forma e não se possa afirmar que a morte ocorreu por aquela causa.
Londrina, por ser cidade-pólo de vasta região, recebe benefícios por isso mas tem também o ônus de prestar atendimentos diversos, entre eles o da saúde. Os casos de superlotação que ocorrem com regular frequência, sobretudo no HU - tanto na requisição de leitos regulares como na UTI - são uma amostra disso. O Estado precisa prover a cidade dessas garantias, e para isso é preciso que também as lideranças regionais se mobilizem. Diz-se regionais porque Londrina serve a muitos municípios nesse tipo de atendimento e supre deficiências das comunidades menores. E não apenas o HU, porque também outras instituições hospitalares recebem pacientes de todos os pontos do Estado. Os registros mostram que chegam doentes inclusive dos vizinhos estados de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.
Certo é que a situação não é cômoda e deixa a desejar em suficiência de infra-estrutura, embora haja excelência nos serviços profissionais. Na reunião da Câmara houve pontos de divergência entre o vereador e médico Tercílio Turini (plantonista do HU) e a secretária Municipal de Saúde, Marlene Zucolli. Porque, se ela afirma - baseada em levantamento das auditorias operativas de sua secretaria - que a ocupação das UTIs dos hospitais de Londrina é de 85%, ele retruca que ''faz muitos meses'' que dá plantão e não consegue colocar seus pacientes nessas unidades.
O problema das superlotações está exposto e não é novo, porque se há períodos de mais tranquilidade, há outros alarmantes, com o retrato já tanto divulgado pelos veículos de comunicação de pacientes sendo atendidos em macas, nos corredores - caso do HU, que dá atendimento gratuito. E não por negligência dos atendentes mas por insuficiência de leitos. Se aconteceu tantas vezes, outras mais acontecerão, com tendência de aumento, porque as populações crescem e a infra-estrutura de atendimento é sempre menor que a demanda. O diretor-superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, sugeriu a implantação de leitos de UTI semi-intensiva, o que baratearia custos e poderia propiciar o acréscimo de 30 acomodações nos hospitais da cidade. São propostas como esta que, se viáveis, devem ser levadas adiante, mediante uma terapia intensiva de pressão sobre os governantes.

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