Utilizar e preservar a biodiversidade
Utilizar sem depredar e nem extinguir. Este é o ponto de equilíbrio que deve nortear a relação do homem com a natureza. Utilizando imagens de satélites, o Greenpeace demonstra o peso predador da intervenção humana sobre as florestas, em diferentes países, Brasil incluído. No caso da Amazônia, o desmatamento vai abrindo espaços para a pecuária e a agricultura, quando não é a simples extração de madeira. Isto ocorre num país de muita terra aberta e ainda por explorar, caso da amplidão do cerrado, que faz um triângulo abrangendo parte de Minas e indo até o Nordeste, dali alcançando territórios do norte. Envolvendo também cidades, essa extensa área de terras planas (e dependentes de trato e irrigação) facilita a exploração extensiva, portanto mais econômica, ademais com baixos riscos de safras. Como revela reportagem de ontem deste Jornal ao ensejo dos eventos de defesa ambiental da ONU, que têm continuidade em Curitiba cada minuto que passa representa um pouco menos de biodiversidade terrestre e marinha. O Planeta dispõe de apenas 10% de floresta primária. O Brasil ainda dispõe da Amazônia, mas faz muito pouco por preservá-la, porque dela nem extrai racional e economicamente e fecha os olhos para a devastação. Impera a corrupção dentro do próprio sistema. Os estudos mostram que o ritmo de extinção de plantas e animais é mil vezes mais rápido do que o da era anterior à existência da espécie humana, exploratória e destruidora. Mais um pouco e não se terá nada a preservar. O Brasil dispõe de um contingente de 300 mil homens em suas Forças Armadas, mais o arsenal bélico e estratégico, contudo nenhum Governo os utilizou para policiar a grande floresta. E isto é questão de segurança nacional, e mundial por extensão. Criticados por algumas extravagências, o Greenpeace e os ambientalistas são ainda os grandes estandartes levantados para salvar a biodiversidade, sem a qual a vida na Terra ficará comprometida. O que se diz das florestas, das águas e do ar se diz também da pesca oceânica predatória. Como declarou em Curitiba o especialista em oceanos Callem Roberts, do Reino Unido, medidas de prevenção e a criação de reservas marinhas contribuirão para as espécies se reproduzirem. Em tudo, sabendo-se usar não irá faltar. Amanda Nickson, vice-diretora do Programa Global de Espécies, diz que os ganhos com a preservação ambiental não resultam apenas do turismo mas do melhor gerenciamento dos recursos naturais, dos quais todos dependem. E em meio às discussões sobre transgênicos e biodiversidade, um fato novo, com prós e contras, revela-se nos debates de Curitiba: as sementes suicidas, que são estéreis e, segundo os biotecnologistas, necessárias para evitar cruzamentos indesejáveis entre as espécies convencionais e as geneticamente modificadas. Um alerta vem do ativista mexicano Alberto Flores, segundo o qual quem controla as sementes controla toda a cadeia alimentar. Ele se refere ao domínio de multinacionais na dinâmica genética da produção de grãos. A biotecnologia recria, mas, além do risco à biodiversidade, ainda paira a dúvida sobre eventuais prejuízos ao organismo humano e animal pelo consumo de alimentos geneticamente alterados. Porque, sobre isto, a ciência ainda não deu sua palavra.





