Um assunto muito atual e polêmico hoje em dia é o uso ‘recreativo do Viagra’. Muitos homens sem qualquer problema de ereção me perguntam se é possível usar o medicamento apenas para melhorar a performance e, assim, obter mais prazer sexual. É importante salientar que todo remédio precisa de uma indicação médica. Não dá pra tomar analgésico sem precisar, sem estar com dor. Quem não tem problema de potência, quem apresenta uma ereção normal e se mostra desejoso e tranquilo sexualmente, realmente não tem necessidade alguma de usar o Viagra.
É muito comum os homens se mostrarem insatisfeitos com seu desempenho sexual. Estão sempre desejando mais e mais prazer no sexo. O indivíduo tem, por exemplo, uma ereção de meia hora, mas quer mantê-la por duas horas ou mais. Essa atitude mostra a necessidade de auto-afirmação que na verdade esconde conflitos que revelam uma baixa estima e insegurança emocional.
Afinal de contas porque o homem precisa exibir essa potência fora do comum? Muitas vezes, por trás dessa preocupação existe muita incerteza, angústia e outros problemas de ordem afetiva e mesmo sexual. É preciso encarar a vida amorosa com mais clareza e transparência, se abrindo para os relacionamentos, analisando suas dificuldades e limitações e a própria imagem que faz de si mesmo.
Já o indivíduo que apresenta uma disfunção erétil ocasional pode se beneficiar do medicamento, conseguindo uma ereção mais vigorosa e prolongada. É aquele homem que não tem uma potência nota 10 – vigorosa – em decorrência de algum problema médico ou psicológico ainda não identificado, e passa a ficar temeroso em falhar.
Em geral, o Viagra é bem indicado para esses homens. São cidadãos na faixa dos 40 anos ou mais, que apresentam problemas de ereção e se beneficiam muito com o uso medicamento, principalmente quando tem uma parceira solidária. Deixam suas angústias de lado e passam a acreditar mais na sua sexualidade. O Viagra restaura não só a potência, mas também a autoconfiança, facilitando um melhor envolvimento afetivo com a mulher.
É compreensível, no mundo em que vivemos atualmente, onde o desempenho é cobrado de forma exaustiva em todas as atividades da vida cotidiana, que os homens se tornem ansiosos e inseguros sexualmente, ainda mais numa época marcada por tantos agentes complicadores: discórdia conjugal, desemprego, crise econômica, atentados, violência urbana etc.
É importante ainda lembrar que muitos homens que referem o uso recreativo do Viagra, e que negam a existência de problemas sexuais, na sua intimidade as coisas são bem diferentes: se mostram impotentes nos seus relacionamentos afetivos e sexuais. Nesses casos, além do medicamento, a psicoterapia é fundamental como forma de encorajá-los para superarem seus problemas.
Por isso gostaria de reafirmar: o surgimento do Viagra foi uma descoberta importante da medicina neste final de milênio, como foi o anticoncepcional para a mulher nos anos 60; mas como todo medicamento, tem sua indicação certa, com a dosagem apropriada e sempre com acompanhamento médico e psicológico.
Moacir Costa é médico psicoterapeuta em São Paulo.
Serviço: Caso tenha dúvidas sobre sexo, ligue para: 0800-770-6543 (gratuitamente), de 2ª a 6ª, das 8h às 14h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo.

mockup