Usina de conhecimento para o agronegócio - Florindo Dalberto
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de junho de 1998
Florindo Dalberto 
Como sabiamente ensina o Aurélio, usina é sinônimo de fábrica. É o que tem sido o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), nestes seus 26 anos de existência, que se completam na data de amanhã, aniversário da Lei Estadual 6.292 que o instituiu como órgão oficial de pesquisa agropecuária do governo do Estado.
Embora seja muito mais fácil ao produtor paranaense conhecer a pesquisa através de uma nova variedade ou das análises de solos fornecidas, de fato o que importa é o conhecimento inserido nesses produtos e serviços. Hoje, o que define o preço (ou o valor) do produto é o grau de conhecimento que se insere em sua composição final. É o valor agregado, a diferenciação do produto que garante a satisfação dos desejos e necessidades do consumidor e, por decorrência, garante a vontade de se pagar o preço igualmente diferenciado.
É nisso, portanto, que trabalha o Iapar, um dos instrumentos para o desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável do agronegócio do Paraná, juntamente com o Sistema Seab e em parceria com o setor produtivo. Porque conhecimento é também fator fundamental para a transformação que o Governo Lerner está promovendo no Paraná.
Nesses 26 anos, o órgão vem agregando conhecimento interno através do treinamento de seus funcionários (hoje mais de 80% dos pesquisadores têm curso de mestrado ou doutorado) e do acúmulo de experiência. Ainda com esse objetivo de agregar conhecimento interno, procura manter permanente intercâmbio, em nível nacional e internacional, com instituições científicas de sua área de atuação, através de publicações, acesso à Internet e, o que é indispensável, promovendo e participando de reuniões e eventos científicos. Com isso, a agricultura do Paraná se mantém sintonizada com os avanços tecnológicos mundiais.
Como usina, uma instituição de pesquisa precisa também de máquinas e equipamentos que, necessariamente, devem ser tecnologicamente adequados às suas atividades específicas. Para movimentar sua linha de produção, onde os equipamentos são manejados por operários do conhecimento altamente especializados, não dispensa capital de giro necessário à aquisição de insumos agrícolas, reagentes, combustíveis etc.
Tudo isso, obviamente, custa dinheiro. O que, aliás, acontece em qualquer fábrica. Nesses 26 anos (mais precisamente, de 1972 a 1997) o Paraná já investiu em pesquisa, através do Iapar, cerca de R$ 760 milhões. Parece muito, mas dá pouco mais de R$ 30 milhões/ano. Podia até ser mais, frente ao porte e aos desafios tecnológicos do agronegócio paranaense e frente aos retornos que esse investimento tem proporcionado ao Estado.
E isso se vê através do comportamento dos produtos dessa fábrica no mercado. Sem ir a muitos detalhes, citando apenas um exemplo que, por sinal, está em todas as páginas dos jornais, a venda desses produtos está indo bem.
O exemplo é o café adensado, cuja pesquisa foi objeto, em nível nacional, do Prêmio Agricultura Real. Consequência de um acúmulo de conhecimentos de longo prazo (o primeiro experimento com café feito pelo Iapar, em 1973, já se preocupava com espaçamento), essa tecnologia está viabilizando novamente a cafeicultura paranaense. Para o produtor individual, a tecnologia chega a custo zero. Para a sociedade, representa o retorno dos investimentos feitos no pesquisa.
Como se vê, ao se comentar a história do Iapar, nesses seus 26 anos de vida, a palavra central é conhecimento. Nessa fábrica adquire-se conhecimento, processa-se conhecimento, produz-se conhecimento e, principalmente, dissemina-se conhecimento.
É claro que, como aniversariante, o Iapar espera ganhar algum presente. E já tem ganho alguns, fundamentais, por merecê-los: o principal, que marcou seu 25º aniversário, foi o novo Plano de Carreiras, com o qual o Governo Jaime Lerner ficou definitivamente inserido na história do órgão, por deflagrar seu processo de renovação institucional.
Agora, no seu 26º aniversário, o Iapar continua a receber presentes, muitos na forma de prêmios e honrarias, com que pesquisadores são agraciados, por trabalhos e resultados como o já citado do café, da Ruraltech e tantos outros. Assim, como usina de conhecimento, é gratificante verificar que o Iapar como um todo, em contrapartida ao que produz, vem recebendo o (re)conhecimento da sociedade.
- FLORINDO DALBERTO é presidente do Iapar


