Urnas eletrônicas e Oviedo marcam eleições
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sábado, 05 de abril de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - As eleições no Paraguai estão marcadas por dois fatores externos, ambos vindos do Brasil. O primeiro é a constante e ameaçadora presença do ex-general Lino César Oviedo na tríplice fronteira. O segundo é o uso das urnas eletrônicas, emprestadas pelo governo brasileiro, pela segunda vez em solo guarani.
Liderança populista, Oviedo fugiu do país em 1999 sob acusação de planejar dois golpes de Estado e o assassinato do vice-presidente, Luiz Maria ArgaÀa naquele ano. Condenado a dez anos de prisão por uma tentativa de golpe em 1996, atualmente reside no Brasil, de onde busca interferir na política do seu país.
De sua base em Foz do Iguaçu, Oviedo articulou a criação do seu próprio partido, a União Nacional de Colorados Éticos (Unace). Seu plano era conseguir autorização da Justiça Eleitoral para disputar a presidência, porém, sem êxito, acabou lançando Guillermo Sánchez Guffanti, que até agora não conseguiu convencer a massa oviedista.
Segundo pesquisa publicada pelo diário ABC Color, no domingo, dia 23, Nicanor Duarte Furtos (Partido Colorado) lidera as preferências com 30,9%, seguido de Pedro Fadul (aliança Pátria Querida) com 25,4%, Julio César ''Yoyito'' Franco (Partido Liberal Radical Autêntico) com 23,9% e Guillermo Sánchez Guffanti (Unace) com 6,3%.
As urnas eletrônicas serão usadas em 31 municípios e parcialmente em mais dois municípios. Nas eleições municipais de novembro de 2001 elas foram usadas em sete localidades ou por 1,5% do potencial eleitoral.
O Partido Colorado, há mais de cinco décadas no poder, questiona o salto percentual, além de ressaltar eventual fraude eleitoral e a inexperiência dos eleitores. Por isso, quer a redução do índice de uso do equipamento no território de 53% para 10% do total. Já o mediano Partido Democrata Cristão quer o aparelho em todas as seções eleitorais.
A Justiça Eleitoral, no entanto, comunicou neste mês que vai manter a porcentagem, enquanto os adversários de Nicanor o acusam de arranjar pretexto para impugnar as eleições caso seja derrotado. O candidato carrega o desgaste do governo atual e tem maior rejeição entre os concorrentes (35%).


