O Governo precisa dar atendimento imediato aos agricultores paranaenses vítimas da seca, que atinge severamente, pelos menos, 19 municípios do oeste e do sudoeste do Estado. Urgem novas linhas de financiamento, porque os afetados não são apenas os produtores mas também as cidades, que dependem da economia agrícola e entram em caos quando problemas como este ocorrem. Já é o segundo ano consecutivo que a escassez de chuva assola essas regiões, e o produtor rural não tem suporte para agüentar tamanhos golpes. Porque a atividade do campo é diferente das demais e depende do tempo, impossibilitando a recuperação daquilo que perde. Uma safra que não produziu é uma safra irrecuperável, porque precisa aguardar a estação propícia para o novo plantio. Sem injeção de dinheiro do Governo – que precisa ser urgente, barato e na quantidade exigida – o setor simplesmente entra em colapso. E se a agricultura não vai bem, todos os segmentos afins e da economia no geral sofrem idênticas conseqüências, porque o grosso da renda provém da produção do campo. A situação é de calamidade e de emergência. O governador Roberto Requião – que no ano passado deu socorro, por meio da bolsa-estiagem, aos pequenos agricultores – deve aproveitar o momento de reaproximação com o presidente Lula (depois de algumas dissidências) e voltar a bater à porta do Palácio do Planalto, como fez no final desta semana para tratar de algumas pendências entre o Paraná e o Governo Federal. Se no Brasil os governos são mais receptivos nos anos eleitorais, o momento é oportuno para retornar à capital da República e expor a necessidade do socorro inadiável a esses produtores. Também o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento e cuja vida pública está estreitamente vinculada ao Paraná, deve ser acionado. É oportuno lembrar que também ele é candidato, pois pretende retornar à Câmara Federal. Quando a questão é socorrer a agricultura – a dos pequenos, médios e grandes produtores – não há mãos a medir, porque é do sucesso da produção rural que depende a solução da maioria dos demais problemas brasileiros. Manter fortalecida essa atividade é uma estratégia de segurança nacional, e isto interessa às instituições e a toda a população. A leviana afirmação feita certa ocasião, por um ministro encastelado em Brasília, de que os agricultores eram chorões, foi uma afronta e uma demonstração de desinformação sobre a vida rural e a importância desses trabalhadores do pesado, que produzem alimentos. Muita coisa poderá escassear e a nação sobreviverá, mas se o campo sucumbir, as cidades também sucumbirão. A estiagem afeta não apenas as plantas mas também as pastagens, e assim cai igualmente a produção leiteira e seus derivados. Dependente dos grãos, o setor aviário também entre em crise. Nessa dinâmica ao inverso entrelaçam-se todas as atividades afins, e por extensão os moradores urbanos e o próprio poder público, que vê cair sua receita e diminui serviços.

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