Uns empobrecem, outros ficam ricos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 1997
Luiz Yoshio Suzuke 
Medianeira comemora neste ano o seu 37º aniversário de emancipação política, no dia 25 de julho, e apesar de ser um município pujante, situado numa posição geográfica privilegiada e ter no binômio agricultura-indústria, ou seja, a melhor e a mais desenvolvida agro-indústria do Extremo Oeste, temos pela frente inúmeras dificuldades para transpor, visando não se perder no limiar do século XXI.
Para se fazer uma análise da atual situação do município, especialmente no que tange ao Poder Público, é preciso retornar aos idos tempos em que o município de Missal ainda era distrito de Medianeira, pois, com a emancipação de Missal, o nosso município, além de perder uma área produtiva significativa, perdeu o direito ao royalties do Lago de Itaipu, correspondendo no mês de fevereiro de 1997 ao montante de R$ 207.009,00 (duzentos e sete mil e nove reais). Missal tem uma população de 10.009 habitantes (fonte IBGE-95) e a relação entre royalties/população resulta numa renda per capita de R$ 21,00 aproximadamente, enquanto Medianeira, com 35.607 habitantes, fica somente com R$ 0,16. As dificuldades não param aí. Com o desmembramento de Sertanópolis do Iguaçu, o município mãe, - Medianeira - perdeu o direito ao ICMS Ecológico, gerado em função do Parque Nacional do Iguaçu. Procedendo o mesmo cálculo e a mesma analogia em relação a situação de Missal, vamos ter: ICMS Ecológico de Serranópolis de Iguaçu referente ao mês de janeiro de 1997, R$ 192.000,00; população 4.534 habitantes (IBGE-96); a relação entre recurso do ICMS Ecológico/habitantes corresponde a uma renda per capita de R$ 42,00, enquanto Medianeira fica com apenas R$ 5,00.
A diferença é ainda mais gritante quando comparamos Medianeira com Itaipulândia, apresentando o seguinte quadro em relação aos royalties do Lago Itaipu: Itaipulândia tem 4.677 habitantes e o royaltie no mesmo mês foi de R$ 558.300,00, obtendo, portanto, per capita, R$ 119,00; Medianeira, como já discriminamos acima, merece royaltie per capita de R$ 0,16.
Se não bastasse tamanha despropocionalidade na distribuição dos recursos, ainda somos penalizados por não termos no município uma área de lazer junto ao Lago Itaipu, impedindo nossa presença no Programa Estadual da Costa Oeste, e inclusive nos Jogos Mundiais da Natureza, que irão dotar os municípios já beneficiados com os royalties de uma infra-estrutura invejável. Por enquanto estamos excluídos, precisamos reverter já este quadro e, para tanto, a sociedade e o Poder Público devem lutar de mãos dadas para inserir Medianeira neste circuito, construindo, já, uma área de lazer no encontro dos rios Ocoy e Laranjita, para diminuirmos um pouco o nosso prejuízo.
Já estamos, juntamente com outros municípios, resgatando a luta pela reabertura da Estrada do Colono, com o objetivo de potencializarmos o Parque Nacional do Iguaçu, enquanto ecoturismo, enquanto fonte de pesquisas dos bancos genéticos da fauna e da flora (alguns biólogos afirmam existir no PNI aproximadamente 90% da biodiversidade existente na Terra), e enquanto espaço para a prática da Educação Ambiental. O Parque Nacional do Iguaçu, como patrimônio da Região Oeste e da humanidade, não pode limitar-se às belezas das Cataratas do Iguaçu - por isso defendemos um Projeto de Inserção Regional para ele.
É hora de o nosso município acordar para mais este desafio. O prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra, foi muito feliz em dizer que vamos ter a Estrada da Graciosa do Oeste-Sudeste, referindo-se à Estrada do Colono, como um direito que nos foi tirado há mais de dez anos.
Parece que o céu desaba sobre nós. Não são lamúrias, mas, sim, um relato da nossa situação difícil, que tem de ser feito, até como denúncia, da falta de critérios na distribuição dos recursos. Mas não serão as dificuldades que nos farão fraquejar. Se existem as dificuldades, nós temos o povo de Medianeira que nos ajudará a superá-las, com o trabalho, com a dedicação e força que sempre foram nossas características. É esse povo que nos anima e nos faz sair às ruas de cabeça erguida, numa confiança mútua de que vamos vencer os desafios.
É bom viver aqui.
Esse é o melhor de toda a história, a gente de Medianeira. As dificuldades econômicas não nos intimidam, pois em momentos de crise, a solidariedade aumenta. Haveremos de vencer juntos, população do município de Medianeira, um a um, todos os desafios, preparando nosso município para o terceiro milênio.


