Não são apenas adolescentes que tem comportamento de risco em relação a DSTs e Aids, mas também jovens universitários de Londrina, com idade entre 17 e 25 anos. E o pior: apesar de terem um elevado nível de conhecimento quanto as formas de transmissão da Aids, pouco se previnem. É o que comprovou uma pesquisa feita pela enfermeira Elma Mathias Dessunti, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para sua tese de doutorado.
As entrevistas, feitas em 2000, com os alunos dos primeiros e últimos anos dos cursos de medicina e enfermagem, mostraram que o preservativo deixa de ser usado principalmente quando o relacionamento se torna ''estável''. A pesquisa detectou que o preservativo não é usado, ou tem uso descontínuo, entre 71% dos alunos dos últimos anos, e entre 60% dos alunos dos primeiros anos. ''Depois de dois ou três meses o namoro passa a ser estável e não se usa mais camisinha, e isso acontece principalmente com os alunos dos últimos anos, que têm mais parceiros fixos'', explica.
No caso de parceiros eventuais, os alunos de primeiro ano mostraram um maior compromisso no uso de preservativo, 92% dos entrevistados afirmaram que usariam camisinha, contra 66% do último ano. ''Os jovens estão se arriscando, apesar de terem acesso a um maior conhecimento que a escola de saúde proporciona'', afirma.
Para a professora, mesmo o fato dos alunos já terem cuidado de pacientes com Aids, isto não os alerta para a própria vulnerabilidade. ''A escola enfatiza principalmente os aspectos clínico-terapêuticos da doença, quando deveria abordar também aspectos psicossociais e comportamentais'', avalia. C.P.

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