Universidades corporativas
A universidade corporativa está surgindo no século 21 como o setor de maior crescimento no ensino superior. Empresas como a Motorola, a Sun Microsystems e o Banco de Montreal estão transferindo para a educação corporativa o sucesso de seus modelos empresariais de serviço, acessibilidade e tecnologia avançada.
Em essência, são cinco as forças que sustentam este fenômeno: a da organização não hierárquica, enxuta e flexível; o advento e a consolidação da economia do conhecimento; a redução do prazo de validade do conhecimento; o novo foco na capacidade de empregabilidade/ocupacionalidade para a vida toda em lugar de emprego para a vida toda; e uma mudança fundamental no mercado da educação global. Essas tendências abrangentes apontam para um novo e importante veículo para a criação de uma vantagem competitiva sustentável o comprometimento da empresa com a educação e o desenvolvimento permanente dos funcionários. Muitas empresas estão transformando suas dependências em salas de aula corporativas, em infra-estruturas de aprendizagem corporativa.
A universidade corporativa consiste em um processo e não em um local físico. O foco saiu da sala de aula e dirigiu-se para um processo de aprendizagem, onde a prioridade é entrar em contato com o conhecimento da organização como um todo. Não é desenvolver qualificações isoladas, esporádicas, mas uma cultura de aprendizagem contínua, solucionando problemas empresariais reais.
O sistema funciona como um guarda-chuva estratégico para desenvolver e educar funcionários, clientes, fornecedores e comunidade, a fim de cumprir as estratégias empresariais da organização. Existem universidades corporativas de vários formatos e tamanhos. Algumas possuem câmpus. A Motorola University possui prédios espalhados por todo o mundo. A Dell University, Sunu e Verifone University não têm o câmpus, mas funcionam bem como processo.
Disney University, General Electric Motorola já existem há décadas e de forma reconhecida. Em 1997, a General Motors Corporation anunciou o lançamento da General Motors University (GMU) como sistema para moldar os futuros líderes da gigante automotiva global em Detroit.
O currículo básico das universidades corporativas é incrivelmente semelhante na sua atenção aos três C desenvolver a Cidadania Corporativa, proporcionar uma Estrutura Contextual para a empresa e criar Competências Básicas entre os funcionários no ambiente de negócios. A T&T Universal Card University possui o Passport to Excellence; a Motorola University possui a Culture Class; a TVA tem a New Business Era. Independente do nome ou como o curso é elaborado e oferecido, a meta é incutir os valores e a cultura que diferenciam a organização e a tornam especial.
Nos últimos cinco anos, inúmeras empresas e órgãos decidiram lançar universidades corporativas. Nos Estados Unidos, elas eram por volta de 200 em 1996 e hoje são mais de 2 mil: McDonnell Douglas Corporation, Defense Acquisiton University do Departamento de Defesa, Bank of Montreal Institute of Learning, National Semiconductor University, University of Chicago Hospital (UCH), Oracle University, T&T Universal Card University, Hamburger University do McDonalds, China Accelerated Managemente Program (CAMP) da Motorola (esta para resolver sua necessidade de contratação de 10 mil funcionários em 2000/2001), Sears University. E existem universidades corporativas com câmpus virtuais.
Segundo o vice-reitor da Open University, Sir John Daniel, numa época de aprendizagem permanente, as universidades do mundo atual ficarão marginalizadas se não tiverem eficiência e flexibilidade suficientes para satisfazer a toda amplitude de necessidades educacionais e de treinamento dos dias de hoje.
O mercado está passando por uma metamorfose grande em educação. O aluno tradicional de 18 a 24 anos, da universidade convencional, que estuda por volta de quatro a cinco anos para se graduar, terá que estender seu curso para 40 anos se quiser sobreviver no mercado. O mercado de educação superior para o adulto profissional, estima-se hoje que seja por volta de 44% do mercado educacional e deverá ser o segmento de maior crescimento do mercado de educação de nível superior no século 21. E é aqui que entra a crescente universidade corporativa.
Nos bastidores desta metamorfose educacional atuam várias tendências poderosas, como: ascensão do aluno não tradicional como consumidor de educação; rápido avanço da tecnologia; necessidade de aprendizagem a distância. Juntas, essas tendências estão provocando um conjunto de mudanças e fazendo uma pressão enorme sobre o sistema de educação tradicional, para que ele altere sua forma de atuação. Está surgindo um novo panorama para a educação superior o setor privado está superando o setor público. E o Brasil como está enfrentando este cenário? Será que com a globalização, as empresas estrangeiras ou multinacionais terão que importar profissionais adultos com educação permanente? E as nossas universidades tradicionais vão dar conta do recado? Não surgirão já as universidades corporativas por aqui?
- NARDIR ANTONIO SPERANDIO é professor e diretor de instituição de ensino superior em Rolândia





