Universidades
As últimas notícias sobre a greve das universidades estaduais do Paraná parecem puro delírio. Após 110 dias de tentativas de negociação com o patrão, isto é, o governo do Estado, eis que o sindicato dos servidores da UEL apresenta uma pauta de negociações à reitoria, que é refém do governo estadual, pois só este tem o domínio do repasse mensal da verba destinada às instituições de ensino superior. Será ingenuidade perguntar: como o reitor pode atender as reivindicações, se ele não tem um tostão furado de autonomia para definir salários? Ou será que essas 13 reivindicações não envolvem salário mas, apenas, vantagens secundárias, acessórias, perfeitas para confundir os servidores em greve?
O delírio máximo: empresários de Londrina acusam os grevistas de descaso junto aos pacientes do Hospital Universitário (HU). O que autoriza esses empresários a sair em defesa dos pacientes? Por acaso eles contrataram os servidores do HU? Ou contribuem efetivamente para a manutenção do hospital e o atendimento dos cinco mil pacientes que estão aguardando? Ou representam juridicamente os cidadãos prejudicados? Por que eles não culpam o SUS pela falta de atendimento à saúde? Compete ao SUS a prestação de serviços médicos à população. O HU é apenas uma unidade complementar do sistema.
Uma única verdade neste saco de gatos: os estudantes, sim, são diretamente prejudicados. Pena que tenham chegado no limite da paciência só depois de 110 dias, atirando para todos os lados, quando o único culpado pela situação é o governo paranaense que omitiu as reposições salariais obrigatórias por mais de seis anos consecutivos. No limite da penúria estão muitos servidores do Estado do Paraná. Mas a vida nos ensina que não existem limites nem para a maldade humana, nem para o abuso dos governos, nem para a continuidade da luta e nem mesmo, infelizmente, para o orçamento doméstico de cada um. Pois mais uma vez se rompem os limites e se apertam os cintos no âmbito da família. Sacrifício e prejuízo, a sociedade só aceita, mesmo, para os servidores.
MARIA EUGÊNIA COSTA FERREIRA, Maringá
Se professores e funcionários da UEM retornarem ao trabalho encerrando uma paralisação de quase quatro meses, sem obter nenhum reajuste, sem alcançar qualquer conquista, esse movimento entrará para a história não como a maior greve que já tivemos, mas como a maior derrota de trabalhadores da educação no Brasil. Ninguém desejava a greve, mas chegou-se a um ponto em que ceder sem nada em troca significa render-se à intransigência e aos desmandos de um governo sem compromissos com a educação pública. A partir de então, sindicatos e associações de docentes não terão moral, nem respaldo, sequer respeito e apoio de estudantes e sociedade civil para qualquer outra greve ou manifestação. Terão que se conformar com o descaso do governo, com a baixa remuneração, com as injustiças e continuarem a trabalhar de cabeça baixa. É o fim.
SÉRGIO FAJARDO, Mandaguari
Na Folha de ontem, o vereador Tercílio Turini (PSDB), um dos autores do projeto de lei que condicionava a venda da Sercomtel Celular ao plebiscito, dá uma clara demonstração de como se lavar as mãos em questões de responsabilidade do Legislativo. Sua frase, respeito a decisão da comunidade, que tomou o posicionamento de não vender. Comunidade? 11% do eleitorado compareceu as urnas, e o senhor tem a coragem de dizer que a comunidade tomou a decisão? Por favor, vereador, tenha a hombridade e assuma a sua responsabilidade neste processo! Afinal, o senhor e os demais vereadores delegaram cruelmente à comunidade uma decisão extremamente complexa. E os senhores sabem disso.
De onde virão os recursos para se investir na empresa? (lembre-se que a Prefeitura de Londrina é a sócia majoritária). Qual o montante necessário para a Sercomtel Celular concorrer com duas empresas do porte da TIM e Portugal Telecom? Os recursos que deveriam ser destinados a projetos sociais (asfalto, saneamento básico, hospitais, segurança, etc) agora terão como destino a tentativa de dar fôlego para a Sercomtel Celular por mais alguns anos.
FRANCISCO RODRIGUES GOMES, Londrina





