Universidade: panela ou tacho? - Paulo Sérgio de Faria
Universidade: panela ou tacho? Paulo Sérgio de Faria A educação, em nosso País, nem sempre, no decorrer da história, foi levada a sério. Poucos são os valores financeiros colocados à disposição da educação. E não é de se estranhar que todo o corpo educacional sofra com isso. A falta de investimento na educação afeta toda a sociedade e, especialmente, os que fazem parte do sistema educacional, como professores, diretores e orientadores educacionais de modo geral. Mas, apesar desses problemas financeiros, é de se espantar com outros que nos levam ao questionamento do papel e da função das universidades no nosso País. Problemas ligados diretamente ao uso do poder dentro da instituição educacional. Como o nome já demonstra, a universidade leva-nos a entender o conjunto de tudo o que já existe em torno do saber. Do conceito generalista, passamos à época do especialista e agora nos vemos voltados novamente a uma interpretação holística e global da realidade. E a universidade deve ser a pioneira na absorção dessa nova mentalidade, em prol do significado que traz no próprio nome: universidade. Lá, deve sentir-se acolhida toda e qualquer ideologia, desde que fundamentada em sérias pesquisas de caráter científico. Será que tal significado é levado a sério? Qual a abertura que a universidade federal em nosso País, por exemplo, dá a novos cursos de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado? As universidades dispõem de mestres e doutores em diversas linhas de pesquisas ou se tornaram fechadas, tais como guetos? Tenho cansado de ouvir por parte de estudantes graduados de diversas partes do País que não conseguiram aprovação de seus projetos pelo fato de as universidades não contarem com determinadas linhas de pesquisa. Mas o que significa realmente não contar com determinadas linhas de pesquisa? Será verdadeiramente por falta de profissionais ou por manipulação de correntes ideológicas que acreditam ser a única fonte de verdade, não abrindo espaços para que novos modos de compreensão do homem e de sua relação com o meio se apresentem? Por que muitos grupinhos fechados não admitem a presença de ideologias (linhas) diferentes em uma mesma área? Qual o fundamento dessa atitude? Não seria porventura medo associado a incompetência? A partir das diretrizes da nova LDB e do significado da palavra universidade, as universidades devem se questionar sobre o seu verdadeiro papel. E perceber até que ponto não se tornaram panelas e tachos, junção de grupos fechados monopolizadores do saber, ao invés de propiciar o desenvolvimento de todas as linhas de pesquisa para o enriquecimento da ciência, do mundo e do pesquisador. - PAULO SÉRGIO DE FARIA é professor em Curitiba





