Universidade do Paraná: um novo conceito
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de setembro de 2002
Carlos Moreira Jr. eLygia Pupatto 
Muitas vezes há coincidência de datas de episódios históricos importantes para a sociedade. Foi assim com a emancipação política do Paraná e com a fundação de nossa primeira universidade, ambas no dia 19 de dezembro. Pois no último dia 7 de setembro, reitor e pró-reitores das duas maiores instituições de ensino superior do Estado, Universidade Federal do Paraná e Universidade Estadual de Londrina, reuniram-se com o objetivo de discutir e elaborar propostas conjuntas de políticas educacionais e de desenvolvimento científico-tecnológico para o Paraná. A coincidência com a data da independência foi mero acaso ou, provavelmente, apego exagerado ao trabalho de dois reitores que colocam suas instituições como prioridade em suas vidas. O fato é que a reunião foi extremamente profícua e esta coincidência de datas talvez seja obra do inconsciente coletivo da comunidade universitária que tanto deseja a autonomia e independência de suas instituições.
À medida que a reunião transcorria, observávamos a enorme semelhança existente entre as duas universidades. A importância e relevância que as mesmas desempenham no cenário sócio-político do Estado, o zelo que a sociedade paranaense tem pelas mesmas, a enorme responsabilidade que temos enquanto administradores destas instituições, as dificuldades comuns de financiamento, o fato de que as duas instituições têm administrações novas, plenamente respaldadas nas urnas pela comunidade universitária, e a enorme expectativa que a sociedade deposita nestes novos gestores.
Enquanto muitos discutem, neste momento, se cabe ao Estado o financiamento de suas instituições de ensino superior, como se tal discussão transcendesse qualquer outra, é incompreensível que não se faça o óbvio. Criar uma rede estadual de ensino superior e de pesquisa, otimizando recursos, motivando um ambiente propício para novas idéias e oportunidades, dando as mãos e descobrindo que juntos é possível fazer mais e melhor.
A cooperação entre as universidades públicas do estado do Paraná pode fazer uma verdadeira revolução em nosso ensino superior. Na medida que o Paraná tem duas instituições federais, a UFPR e o CEFET , e seis estaduais, UEL, UEM, UEPG, Unioeste, Unicentro e Unespar, atuando em diferentes regiões e funcionando, quase que, individualmente, cada uma reinventa a sua própria roda. Enfraquecem-se ao funcionarem em separado, aumentando custos e diminuindo suas potencialidades.
Imaginem quantas novas vagas poderiam ser abertas se houvesse uma sinergia entre estas instituições. Quantas regiões carentes de ensino superior público, gratuito e de qualidade poderiam ser contempladas caso concretizada esta cooperação. Não estamos propondo a utopia. Estamos propondo o óbvio. A criação do conceito ''Universidade do Paraná'', onde todos se beneficiam, onde o sistema fica mais forte e ágil e onde a sociedade efetivamente ganha.
Exemplos para demonstrar as vantagens dessa sinergia não faltam. A UFPR e a UEL fazem seus festivais culturais de inverno em datas muito próximas. Trazem artistas das mais diversas regiões do País e do mundo, com despesas significativas em seus orçamentos. Nada impede que estes mesmos artistas façam uma parada em cada cidade, diminuindo custos e ampliando a oferta de atrações. Muitas cidades estão carentes de cursos gratuitos de nível superior, regiões pobres do Estado que não teriam outra alternativa a não ser o sistema público.
A parceria das universidades públicas poderia facilmente alavancar iniciativas de abertura de cursos novos em diversas regiões. Na área da pesquisa e pós-graduação os exemplos são ainda mais contundentes. Pesquisas realizadas em conjunto com economia de recursos e otimização do uso de laboratórios. Rápida qualificação de docentes e abertura de pós-graduações interinstitucionais. Além disso, a decisão política para a ocupação plena de todas as vagas do sistema público pode ser uma ação conjunta de todas estas instituições.
Nesta reunião em Londrina aprovamos um documento, que não pretende ser totalmente acabado ou responder todas as indagações, mas que acima de tudo reflete uma decisão política de darmos resposta à sociedade com ações concretas no sentido de minimizarmos os enormes problemas do país nesta área. Afinal é a sociedade que nos sustenta com seus impostos, é a ela que devemos nossas obrigações e é ela que deve receber os benefícios.
LYGIA PUPATTO E CARLOS MOREIRA JR. são, respectivamente, reitores da Universidade Estadual de Londrina e da Universidade Federal do Paraná


