Unindo o Paraná pela fibra óptica
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 1997
Álvaro Dias 
Amanhã, em Ponta Grossa, vamos deslanchar a primeira fase da Rotpar, a Rede de Fibras Ópticas do Paraná, uma gigantesca obra do governo FHC que vai abrir as portas do nosso Estado para a modernidade tecnológica e dará suporte ao seu desenvolvimento. Assim como o processo de modernização do Estado na década de 60 se alicerçou na abertura de estradas de rodagem que deram suporte à integração paranaense, a inauguração da Rotpar é o primeiro passo necessário para a integração do Paraná com o mundo contemporâneo.
A globalização está na ordem do dia. E ninguém duvida que a informática e as telecomunicações desempenham um papel dos mais importantes no processo de mundialização, acelerando ritmos, generalizando articulações, abrindo novas oportunidades de dinamização das forças produtivas. O mundo contemporâneo já está tecido por muitos tecidos, reais e imaginários, visíveis e invisíveis: são as redes eletrônicas, informáticas, telemáticas. Se, no passado, o processo de globalização se desenvolveu basicamente na esteira do colonialismo e do imperialismo, neste fim de século ela está ancorada na agilização dos processos comunicativos. Por outro lado, assim como os países que tomaram a iniciativa da inovação tecnológica foram os primeiros a usufruir de relativa hegemonia sobre os demais, assim os que tomarem a iniciativa do desenvolvimento dos recursos informáticos de integração estarão em situação distinguida no contexto mundial.
É nesta perspectiva que o presidente Fernando Henrique Cardoso, através do Ministério das Comunicações, determinou os investimentos na constituição das infovias brasileiras, ou seja, os caminhos por onde a comunicação, a informatização, as telecomunicações passarão de forma mais rápida e eficiente, promovendo a integração nacional e com o mundo.
A Rotpar é uma infovia que será implantada na faixa de domínio das principais rodovias federais e algumas estaduais do Paraná, uma parceria entre Telepar, DNER, DER-PR e iniciativa privada, interligando os principais pólos geo-econômicos do Paraná. A rede física será formada por dois anéis de cabos ópticos, à qual serão acoplados equipamentos que operarão tecnologia de última geração, permitindo ampliar a demanda por serviços de telefonia convencional e celular, multimídia e comunicação de dados, e uma enorme gama de serviços como vídeo por demanda, vídeo interativo, vídeo-conferência, tele-educação, tele-medicina, home banking e home shopping, Internet etc.
Para se ter uma idéia, o salto da capacidade de escoamento do trafégo interurbano (ligações interurbanas), nun primeiro momento, passará de 8 mil para 30 mil ligações simultâneas. Quando a obra estiver finalizada, o potencial da rede será de mais de um milhão de ligações telefônicas simultâneas.
A primeira fase da Roptar tem uma extensão de 1.500 km que integra Curitiba, Ponta Grossa, Apucarana, Londrina, Maringá, Campo Mourão, Cascavel e Foz do Iguaçu, com um investimento de R$ 125,5 milhões. A segunda fase terá uma extensão de 1.600 km, passando por Jacarezinho, Cornélio Procópio, Paranavaí, Umuarama, Goioerê, Francisco Beltrão, Pato Branco e União da Vitória. É preciso salientar que essas cidades são pólos de interligação, mas todos os municípios do Paraná serão beneficiados. Além disto, como parte do contrato com o DNER, os caminhos da Rotpar permetirão a implantação das chamadas rodovias inteligentes muitíssimo mais seguras e com todos os serviços de telefonia e informatização.
Com a Rotpar, o Paraná ingressa definitivamente no século XXI, criando as condições para que nossa economia possa enfrentar a competição multidirecional e multinacional, quer seja no campo tecnológico, quer seja no campo econômico. Não se trata de um projeto a ser implementado num futuro incerto, nem de uma aspiração que exista apenas de modo virtual: a Rotpar é uma realidade concreta que, neste 2 de junho, inicia um novo Paraná mais unido, mais forte, mais competitivo e, aspecto essencial, sem o qual todos os demais perdem sentido, um Paraná mais justo.


