Unificação dos cartões. Quem ganha?
A tentativa de permitir que um terminal (uma só máquina) faça as operações de débito e crédito de todos os cartões, decididamente, não é convergente. E o que seria para facilitar as transações no comércio varejista, acabou virando uma queda de braço entre o setor e as operadoras de cartões. Tanto que, temendo novas falhas, o comércio decidiu, unilateralmente, adiar a adesão à unificação. São Paulo liderou a resistência sob alegação de que é uma boa ideia que precisa ser experimentada por um prazo mais longo e em ocasiões de concentração de demandas como épocas comemorativas em que as vendas aumentam e o uso dos cartões também. Talvez, o Dia dos Pais.
Mas, mais cedo ou mais tarde, a unificação tem que acontecer, segundo técnicos, pois ajustes serão feitos para que todos ganhem com a unificação. O consumidor e o comércio intermediário. Se as vantagens contemplarem apenas um dos lados, naturalmente haverá imperfeições lá na frente. Da mesma forma, se não atender a demanda haverá gargalos que vão criar filas no caixa. Para o comércio ainda não está suficientemente claro que tudo vai fluir fácil.
Apesar do esforço de Cielo e Redecard para divulgar a unificação das máquinas de cartões de crédito e débito, os comerciantes ainda estão cautelosos. A mudança no mercado, em vigor desde o dia 1º, permite que um terminal processe compras de todas as bandeiras. No primeiro fim de semana, a adesão foi pequena. A explicação tem uma certa lógica: ''Preferimos esperar para ver se a novidade consegue suportar tanta demanda'', explica Andreia Bessa, diretora da rede Lojão do Brás, à repórter Paula Pacheco. Não é brincadeira: no Brasil há 1,5 milhão de estabelecimentos que alugam 5 milhões de máquinas.
Os consumidores seriam (os mais) beneficiados. Para Maria Inês Dolci, presidente da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), a mudança pode ser uma oportunidade para o comércio acabar com a diferença entre o pagamento com dinheiro e com o cartão. Se os custos vão baixar com o uso de menos máquinas, a vantagem deve ser repassada para o preço.





