Ainda recentemente quando se anunciou a vinda da fábrica de pneus da Sumimoto para a Região Metropolitana de Curitiba, mais precisamente em Fazenda Rio Grande, especulou-se que essa tendência que favorece o eixo industrial entre a Capital e Ponta Grossa tem que gerar compensações para outras regiões geoeconômicas no sentido de evitar o aprofundamento dos desníveis regionais.
Muito antes da chegada das montadoras era visível essa concentração, mal compensada para os pequenos municípios da Grande Curitiba com a dispersão de unidades industriais da malha produtiva do polo automobilístico que se valiam da baixa de tributos como o ISS para tentar alguma vantagem. Anunciou-se, por exemplo, como desdobramento das montadoras que Londrina e Ponta Grossa receberiam fábricas de pneus, fato que não se consumou.
Reportagem do último domingo desta FOLHA acentua a força do Interior, incluindo todas as regiões como o Litoral e os Campos Gerais, que deteriam 58,3% do PIB em números de 2008. Com população e área menores, a Região Metropolitana acumularia 41,7%. Essa situação é visível nos tributos com cidades como Araucária em função da Refinaria da Petrobras e do seu forte Distrito Industrial mais São José dos Pinhais, com alta concentração, aparecendo em destaque. Outro registro significativo é do PIB per capita para ilustrar desníveis: na Capital e entorno era de R$ 23 mil por pessoa (2008) no Interior caía para R$ 14,2 mil.
Infelizmente, o Paraná virou as costas para estudos sistemáticos de planejamento, que nos ciclos mais fortes do neysmo (e sucessores como Paulo Pimentel, Parigot de Souza, Jaime Canet Júnior, Emílio Gomes) era uma rotina impositiva. Como naqueles tempos havia a preocupação com os desníveis houve na segunda gestão de Ney Braga um momento em que se falava em ''disseminação espacial do bem-estar'', um remédio para as distorções que ainda hoje ganharia atualidade na busca de maior unidade, além do aspecto físico-territorial, mal consolidado, objetivo, convenhamos, ainda distante, mas desejável.

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