União necessária - Editorial
União necessária
No discurso de posse como novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o sr. Alcides Lopes Tápias deixou clara, entre tantas e importantes idéias, a afirmação no sentido da necessidade de uma união entre os membros todos, do governo e da coletividade, no sentido de se realizar a tarefa que representa hoje a principal preocupação nacional, a restauração do desenvolvimento. Todavia, enfatizou a concordância com a idéia segundo a qual o caminho para se chegar ao desenvolvimento sério e sustentado passa pelo equilíbrio fiscal e pela seriedade na administração das receitas e das despesas governamentais, não só na área federal como nos Estados e municípios. Segundo Tápias, o compromisso assumido pelo governo de iniciar o novo século com um crescimento anual de 4% na economia é uma meta realizável. Todavia, insistiu em que isto só será possível se houver a percepção de que a missão não cabe apenas ao governo, mas representa uma verdadeira cruzada de todos os segmentos da economia e da sociedade brasileira.
Simples como pareça, é o enunciado mais objetivo dos últimos tempos, revelando a sensibilidade de um homem comum diante do emaranhado mundo da política. Tápias, sabe-se, não é político. E talvez seja isto o que se esteja precisando neste complexo momento da vida nacional, ainda mais diante da agitação que alguns homens públicos teimam em provocar, procurando aproveitar as dificuldades que o governo enfrenta. Vive-se um clima curioso, que dá a impressão de se estar na época eleitoral. Políticos ocupam horários garantidos pela Justiça Eleitoral, e que deveriam servir para orientação e até educação política, com discursos incendiários, que acabam provocando perplexidade a uma população que busca apenas condições para encontrar caminhos positivos para sua vida.
O pronunciamento do novo ministro traz um tipo de arejamento ao ambiente político, pela simplicidade, objetividade e por evidenciar que o novo membro do Ministério FHC não parece trazer aquelas intenções de complicar ainda mais um ambiente já por si conturbado. É o de que se precisa, sem dúvida. Vale lembrar que este Ministério, em pouco mais de oito meses, está em seu terceiro titular, o que chega a ser desanimador, conforme assinala o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva. Ele destaca, porém, que esta rotatividade pode ter ocorrido pela escolha inadequada dos titulares. Tápias, não político, não comprometido com esquemas partidários, com uma visão clara dos problemas do País e dando a impressão de alguém efetivamente disposto a contribuir para ajudar no encontro de soluções, pode representar uma mudança positiva no quadro atual.
O governo FHC bem precisa desta virada. O Brasil mais ainda. Há um premente desafio a exigir posturas corretas e voltadas, principalmente, para o interesse maior do Brasil. Os confrontos, dentro e fora do governo, a disputa política por espaços, a falta de ética dos homens públicos, o aparente salve-se-quem-puder de alguns parlamentares, que tentam se dissociar do governo por causa dos índices negativos de popularidade, isto tudo contribui para criar um clima ainda mais precário.
O apelo do novo ministro à união e todo o enfoque de seu pronunciamento, baseado em um otimismo sólido diante das possibilidades reais do País, abrem pelo menos uma fresta neste quadro complicado que o Brasil atravessa desde o começo do ano. Já é mais do que tempo de se sentir este tipo de alteração para que o País possa de fato encarar o desafio do milênio que se aproxima.





