União e futuro
Encerrada a eleição presidencial mais disputada desde 1989 (primeira eleição direta para presidente desde a redemocratização), o momento é de união. Se durante o período de campanha, houve a tentativa de "divisão" do Brasil entre petistas e tucanos, "ricos" e "pobres" e Nordeste x Sul, é claro que, agora, essas "diferenças" devem ser desconsideradas. Se o resultado das eleições não agradou a todos, é importante a participação e o envolvimento da população ao menos para investigar as ações do governo e cobrar melhorias.
A disputa foi acirrada desde o início. A primeira reviravolta veio com o desastre aéreo que vitimou Eduardo Campos (PSB). Após a sua morte, o partido lançou Marina Silva à cabeça de chapa, que "colou" na presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição. A ascensão meteórica da ambientalista não durou e Aécio Neves (PSDB) terminou o primeiro turno com pouca diferença de Dilma. Apesar de o tucano tomar imediatamente o "discurso da mudança", que ganhou as ruas no ano passado a partir das manifestações populares, perdeu parte do fôlego conseguido após o primeiro turno. No entanto, Aécio não fez feio: conseguiu a maior votação do PSDB até hoje.
Os números expressivos da contagem de votos consolida o desejo de mudanças, embora a presidente tenha sido reeleita. E, é importante, que a população esteja atenta. É preciso acompanhar os desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga um dos maiores casos de corrupção da Petrobras, a maior estatal brasileira. Não pode ficar impune. Os responsáveis têm que ser punidos e o dinheiro desviado tem que ser devolvido à Nação.
Além disso, é preciso cobrar as reformas estruturais que o Brasil tanto precisa para encontrar o caminho do desenvolvimento sustentável. É urgente que projetos importantes, há anos engavetados no Congresso, comecem a ser discutidos. Toda a cadeia produtiva e pessoas físicas estão sufocadas com o peso dos impostos e contribuições. A "cascata" que incide sobre o preço final dos produtos tira a competitividade da indústria nacional e o poder de compra da população. Reforma tributária, previdenciária e trabalhista são fundamentais para que a produção seja retomada. Também se faz extremamente necessária a reforma política, a mais importante delas conforme afirmou Dilma em seu discurso após a vitória.
No entanto, é preciso reafirmar o compromisso de união e de comprometimento de todos com o futuro do País. Como afirmou a presidente: "É hora de cada um e de todos nós acreditarmos no Brasil".





