União de industriais, para mudanças
Na célebre carta do índio Seattle ao Grande Chefe (o presidente dos Estados Unidos) ele concluiu, referindo-se às devastações praticadas pelo homem branco, que ...é o fim do viver e o início do sobreviver. Manchete de ontem deste Jornal, reportando-se ao Congresso Paranaense da Indústria, que acaba de se realizar em Curitiba, diz que sobreviver é o grande desafio das empresas, face às políticas públicas brasileiras. Quando se chega a um estado de sobrevivência e não da vivência normal que deve reger todas as coisas, então a situação de um povo começa a aproximar-se da calamidade. Sobreviver é uma situação terminal, como de um náufrago que não pensa nada nesse momento senão em sobreviver. São tristes palavras e tristes condições, mas é assim que se situam os industriais paranaenses, preocupados pelo que se extraiu do referido congresso em melhorar gestões que garantam produtividade e ganhos para compensar a desastrada política econômica governamental. Tem-se declarado que, apesar do Governo, há um Brasil-cidadão que avança, e este é o da cadeia produtiva nacional, mas há momentos em que também esta que tem grande dose de resistência e é lutadora chega a pontos de exaustão. É um descalabro que os segmentos da produção, sustentadores da economia e do emprego, tenham no Governo não um colaborador mas um vilão, que sufoca a respiração dos negócios pelo garrote da violenta carga tributária, do encargo sobre o salário, do imposto leonino sobre a renda, e escarnece dos que trabalham e produzem riqueza ao continuar com os gastos abusivos e com a corrupção. Triste de uma nação cujo grande inimigo é o seu próprio Governo. O excesso de burocracia, os impostos estratosféricos, o câmbio desvalorizado, são fatores apontados como negativos pelo presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Rodrigo Rocha Loures, ao falar no congresso ora realizado. A política econômica do Governo federal atende a interesses do sistema financeiro, por isso há recessão na economia, ele declara. Embora não mencionados pelos industriais, outros fatores negativos são os baixos salários e o modelo vigorante da legislação trabalhista, que desencoraja contratações. Uma boa decisão do congresso de Curitiba foi o lançamento da Rede de Mobilização Política Empresarial, que terá um site para a discussão de mudanças nas políticas públicas e cujas conclusões serão encaminhadas às autoridades governamentais. Este é o caminho: o das propostas de soluções, que precisam ser seguidas do encurralamento sistemático dos deputados e senadores, pois são eles que formulam e aprovam novas leis e extinguem as inadequadas. Esses parlamentares, que descem às bases todas as semanas, são os verdadeiros agentes governamentais capazes de fazer mudanças, mas eles são pouco cobrados e dessa forma sentem-se confortáveis e ficam acomodados.





