A mobilização popular é uma medida eficaz para sensibilizar os governantes a não adotarem certas medidas ou a suspenderem outras, quando nocivas ao interesse da população. Mesmo que não obtenha êxito numa primeira tentativa, a persistência da ação do povo é capaz de alcançar os resultados esperados, no todo ou ao menos em parte. Nem sempre os cidadãos se valem da força que têm, preferindo a lamentação isolada ao invés de se postarem em marcha e deslocar-se para os centros do Poder, de forma a pressionar as autoridades. Este é o caminho que os dirigentes das cooperativas de transportes vão tomar, visando impedir que o Governo federal instale mais pedágio em rodovias que cortam Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada durante o 2º Fórum dos Dirigentes de Cooperativas de Transportes que acaba de se realizar em Curitiba. A classe dos caminhoneiros já paga a Contribuição da Intervenção no Domínio Econômico, mais conhecida como CIDE, embutida no custo do combustível e que é destinada justamente à manutenção das estradas. Há inúmeros outros encargos tributários incidentes sobre o veículo automotor, não se justificando mais a sangria do pedágio, que é um perverso acréscimo tributário, imposto pela insensatez, pela ganância ou por interesse não revelado de certos governantes. O pedágio está inviabilizando a atividade dos caminhoneiros autônomos, porque o lucro que obtinham acabou canalizado para os caixas das concessionárias. E não apenas eles, mas todos os usuários de veículos e os demais transportadores. Esse anunciado movimento de reação, somado a decisões da Justiça como a que liberou as cancelas das praças de pedágio da Rodovia das Cataratas, são grandes passos que podem resultar no fechamento desse sistema de cobrança em todas as rodovias do Paraná e por extensão em todo o Brasil. Porque é contrário à ordem econômica e também à ordem constitucional, por várias razões, consideradas por eminentes juristas como suficientes para a extinção dos contratos. E apenas en passant, é oportuno citar um dado interessante: nunca as concessionárias revelaram o volume da arrecadação, mas no episódio da Rodovia das Cataratas face a um eventual ressarcimento, já que os portais foram abertos ao tráfego livre, por ordem judicial a empresa já avisou que ''o prejuízo diário'' é de R$ 87.780, só naquelas cinco praças. Multiplique-se isso por 365 dias/ano e por oito anos da existência da cobrança, e adicione-se a receita das demais concessionárias do Paraná, e se terá um número assustador. Na contrapartida, é baixo o retorno em investimento, por parte das concessionárias, com o agravante da inviabilização da atividade dos transportadores de cargas, do fechamento de restaurantes das margens das rodovias porque o dinheiro que era para a alimentação o motorista passou a gastar com o pedágio e a sangria sobre o usuário em geral que trafega por rodovias, a passeio ou a serviço. A mobilização das cooperativas de transportes deve ser deflagrada com todo o vigor, de modo a que também os motoristas particulares se juntem, e não apenas com o fim de evitar mais rodovias pedagiadas mas de eliminar o modelo de pedágio não visto em parte alguma do mundo que se implantou no Brasil.

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