Uma Vida Nova Para os Afegãos
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de dezembro de 2001
Cristobal Orozco 
O regime taleban no Afeganistão terminou. Mas o derrotado taleban, mesmo em fuga, continuou a cometer atrocidades contra a população civil que o rejeitou. Os seus protetores estrangeiros da Al Qaeda esconderam-se nas cavernas, na tentativa de escapar das consequências de seus crimes. Mas eles não podem escapar da justiça. Suas atrocidades são o último suspiro de covardes maldosos que tentaram subjugar o povo afegão - e falharam. A guerra contra o terrorismo está longe de terminada no Afeganistão, mas o contraste entre o Afeganistão de hoje e aquele sob o regime taleban já é evidente em todos os lugares.
Enquanto os terroristas se escondem, o povo afegão está emergindo à luz do dia para enfrentar os desafios de seu futuro. O contraste entre a sua vida sob o taleban e agora sem ele é claro como cristal. Do lugar para onde os talebans fugiram, eles não podem mais aterrorizar a população. Os afegãos - homens, mulheres e crianças - estão rejeitando o que o taleban representa. Os afegãos estão novamente assumindo o controle de suas próprias vidas. Enquanto os talebans fugiam de Kandahar na semana passada, testemunhas contam que residentes alegres saíam às ruas e rasgavam a bandeira taleban.
Os estádios de futebol, que vinham sendo usados para execuções públicas, açoitamentos e amputações, estão novamente sendo utilizados para os esportes. As crianças soltam pipa. As mulheres vão ao mercado sem medo de serem espancadas. Os homens não precisam mais usar as longas barbas exigidas pelos talebans; as mulheres podem escolher entre usar ou não a burca. Por cinco longos anos barradas da educação pública, as meninas estão voltando aos bandos às escolas.
As mulheres estão retomando seu lugar na vida pública. Afegãs participaram das reuniões em Bonn e vão participar do governo interino e de uma eventual loya jirga. As mulheres reassumiram seus trabalhos nos hospitais, nos estúdios de televisão e nas escolas. Milhares de afegãs, muitas delas viúvas, estão novamente aptas a sustentar suas famílias e ajudar suas comunidades trabalhando com o Programa Mundial de Alimentos, administrando padarias e distribuindo alimentos - meios de sustento que lhes era negado sob o regime taleban.
No entanto, os problemas do Afeganistão não terminaram. A falta de leis e o banditismo que se seguiram ao colapso do taleban vão exigir esforços intensos do governo interino para garantir a segurança do povo afegão. A distribuição de alimentos em áreas ameaçadas pela fome deve ser organizada de maneira rápida e segura. Todos os afegãos - homens e mulheres de todas as etnias - devem sentir que têm uma participação no novo governo que está se formando. A comunidade internacional deve unir-se para auxiliar os afegãos em seu esforço para reconstruir o seu país.
A guerra contra o terrorismo também não terminou. Os talebans remanescentes e os terroristas da Al Qaeda continuam sendo uma ameaça. Reportagens da imprensa na primeira semana de dezembro falam de mutilações de civis afegãos pelos bandidos pró-taleban em fuga. Em meados de novembro, tropas talebans em retirada balearam oito meninos que ousaram rir deles. Pelo menos 300 assustados talebans que queriam se render em Kunduz foram mortos por seus próprios correligionários. Refugiados afegãos, recém-chegados ao Paquistão, relatam massacres e torturas realizadas por remanescentes talebans contra crianças em Taloqan pelos supostos crimes de seus pais.
Mesmo agora, membros da Al Qaeda estão em fuga, desesperados para escapar das consequências dos horrores que eles perpetraram contra os afegãos e contra as vítimas de seus ataques terroristas em todo o mundo. Eles ainda alegam ter sustentação religiosa para os crimes que cometem.
O videoteipe divulgado na semana passada mostrou, sem sombra de dúvida, que Osama bin Laden orgulha-se do terror que perpetrou contra civis inocentes.
Suas palavras mostraram claramente que a Al Qaeda não é uma fonte de autoridade religiosa - é uma organização terrorista.
Enquanto os terroristas da Al Qaeda e do taleban fogem e escondem-se debaixo da terra, os afegãos estão saindo para a luz de um novo Afeganistão. Eles estão atarefados, reivindicando o que lhes foi negado durante a usurpação de seu país pela Al Qaeda e pelo taleban: educação e oportunidades para suas mulheres e crianças, uma sociedade tolerante e pacífica, comunidades seguras e esperança para um novo futuro afegão.
- CRISTOBAL OROZCO é encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA em Brasília


