A morte da monitora de trânsito da Zona Azul em pleno exercício da profissão é uma tragédia que, a despeito do silêncio da Prefeitura de Londrina, não pode ser encarada apenas como mais uma fatalidade. É mais do que isso. Ellen Cristina de Oliveira, 34 anos, foi atingida por grossos galhos de uma das grandes árvores que margeiam o Bosque Central após uma rápida ventania.
Socorrida pelo Siate, sofreu fratura em um dos ombros e lesões nas regiões das costas e na cabeça. O quadro no hospital se agravou para uma hemorragia interna, seguida de paradas cardiorrespiratórias. A moça não resistiu e faleceu no início da manhã desta terça-feira (19).
A tragédia trouxe à tona o problema da morosidade na poda e erradicação de árvores, tão velho e tão conhecido dos londrinenses, mas que ganha proporções ainda maiores porque se faz presente também em um espaço urbano localizado bem no coração da cidade e onde só passam pedestres. A fila de espera das solicitações feitas pela população vem desde 2009, segundo informou o próprio prefeito Marcelo Belinati (PP) recentemente. Foram mais de 2.700 processos só neste ano.
A Secretaria Municipal do Ambiente afirma que a pasta vai fazer uma análise individual da arborização do Bosque para checar quantas espécies estão de fato condenadas ali, ameaçando a vida não só dos bravos monitores da Zona Azul, que ainda têm de passar boa parte do dia respirando um ar fétido gerado pelas fezes dos pombos, outro câncer daquela área ainda não extirpado pelo poder público municipal, como dos milhares de londrinenses que o atravessam diariamente.
A secretária do Ambiente explica que o manejo adequado da vegetação no Bosque só pode ser feito mediante autorização do Instituto Ambiental do Paraná por ser aquele espaço uma área de preservação permanente, e admite que faz algum tempo que a Sema não requisita essa liberação ambiental com o órgão estadual. As consequências das mudanças no clima foram discutidas no EncontrosFolha realizado em julho. É o momento de lembrar o que os cientistas vêm alertando: as cidades precisam se adaptar para os eventos climáticos que serão cada vez mais fortes e constantes.

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